O Banco Central do Brasil esteve no centro de uma polêmica que pode comprometer a estratégia política do governo Lula. O presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, foi questionado na CPI do Crime Organizado sobre a responsabilidade do ex‑presidente Roberto Campos Neto no caso Master, de Daniel Vorcaro. As declarações de Galípolo foram recebidas com críticas do Palácio do Planalto e do PT, que temiam que a fala afastasse a narrativa de associação ao governo Bolsonaro.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, evitou se posicionar diretamente sobre a condução do BC, mas reforçou que a Fazenda está preparando decisões fiscais, como a reforma tributária, a revisão do Perse e o corte de 10% em benefícios tributários. Durigan ainda garantiu que não haverá ajuda federal ao Banco BRB, que enfrenta dificuldades decorrentes da crise de liquidez do Banco Master.

As informações são baseadas em reportagem do Estadão, que detalha o embate entre o governo e o PT diante das declarações de Galípolo e das medidas econômicas em discussão.

Durigan evita criticar Galípolo e destaca agenda fiscal

Ao ser questionado sobre a postura recente do Banco Central, Durigan respondeu que não comentaria o papel da instituição, pois “tem a sua competência”. O ministro, porém, enfatizou que a Fazenda tem em pauta “reforma tributária, revisão do Perse e corte linear de 10% nos benefícios tributários” para reforçar o lado fiscal.

Posicionamento técnico na entrevista

Durigan pontuou que o “fiscal não é motivo” para o BC “colocar o pé no freio” e ressaltou uma postura de cautela para não repetir cenários de 2022. “Não vamos deixar pauta‑bomba do Executivo para as próximas gestões, como aconteceu em 2022”, declarou, garantindo que não haverá pressão para retirar IPI ou IOF no próximo governo.

Indicações no BC e relação com Lula

Quando perguntado sobre duas vagas abertas na diretoria do BC, o ministro afirmou que ainda não teve oportunidade de tratar o assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indicando que o tema ainda não foi levado ao Executivo.

Conflito político em torno da declaração de Galípolo

Na CPI do Crime Organizado, Galípolo afirmou que nada indica culpa de Campos Neto no escândalo do Banco Master. A fala contrariou a estratégia governista de ligar as “falcatruas” de Daniel Vorcaro à gestão de Jair Bolsonaro, que Lula já descreveu o caso como “ovo da serpente” do ex‑presidente.

O PT e o Palácio do Planalto veem na declaração de Galípolo uma “bala de prata” que pode fortalecer a associação do Master ao governo Bolsonaro, dificultando a narrativa de combate às fraudes financeiras.

Crise de liquidez do BRB e falta de apoio federal

Durigan reforçou que a orientação é de que “não deve haver ajuda federal” ao Banco BRB, cuja situação se agravou após a crise de liquidez. O banco pretende vender ativos do Banco Master por R$ 15 bilhões e buscar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito e outros bancos.

O ministro destacou ainda que a responsabilidade pela solução recai sobre o governo do Distrito Federal, acionista do BRB, e que bancos privados já avaliam a compra de carteiras e imóveis da instituição.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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