Um relatório recente do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) classificou como injustificável a postura do Brasil em relação à proibição de importação de bens fabricados com trabalho forçado. A medida é apontada pelos americanos como um fator que restringe o livre comércio.

O documento ainda sugere que a fiscalização ineficiente cria uma concorrência desleal, especialmente no mercado de carne bovina com destino à China. Segundo o governo Donald Trump, produtores brasileiros teriam ganhado vantagem competitiva indevida ao utilizar mão de obra análoga à escravidão.

Diante desse cenário, o USTR recomendou a aplicação de uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, integrando uma lista que afeta dezenas de outros países. As informações foram divulgadas pelo Estadão.

Impactos no comércio de carne e pressão sobre o governo

O relatório americano utiliza o setor de proteína animal como um estudo de caso central. A tese é de que a dificuldade em rastrear o chamado cattle laundering, ou lavagem da boiada, permite que carnes com risco de trabalho forçado cheguem ao mercado chinês, deslocando a participação dos frigoríficos americanos.

Os dados do USTR indicam que a participação do Brasil nas importações chinesas de carne congelada saltou para 53% em 2025, enquanto a fatia americana recuou para apenas 2%. Para Washington, se houvesse uma proibição efetiva, as exportações dos Estados Unidos seriam significativamente maiores.

Brasil contesta acusações e defende legislação

O governo brasileiro rebateu as alegações, afirmando possuir um arcabouço jurídico sólido e citando diversos acordos internacionais de cooperação e livre comércio. O Ministério das Relações Exteriores argumentou que a nação já trabalha para eliminar todas as formas de trabalho forçado.

Autoridades brasileiras reforçaram que não há evidências concretas de que a ausência de uma proibição de importação específica, que ainda tramita no Legislativo, cause prejuízo direto aos EUA. O país defende que a sua lista suja do trabalho escravo é uma ferramenta eficaz de controle.

Tensões e novos anúncios tarifários

Além da investigação sob a Seção 301, o governo Trump anunciou intenções de aplicar tarifas ainda mais altas ao Brasil, atingindo 25% em alguns setores, sob a alegação de práticas desleais. O ambiente é de alerta máximo no Palácio do Planalto devido à instabilidade tarifária.

O relatório conclui que a falha em impedir a entrada de mercadorias produzidas por meio de trabalho forçado distorce a concorrência global. O governo Lula entende que essa apuração é um movimento estratégico para ampliar a proteção ao mercado interno americano contra produtos asiáticos e brasileiros.

A fonte original deste conteúdo é o [Estadão](https://www.estadao.com.br/economia/eua-falha-brasil-injustificavel-prejuizo-mercado-carne-china/).

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