O Banco Master, criado em 2019, alcançou crescimento surpreendente graças a uma rede de consultorias e serviços ligados a Daniel Vorcaro. Por trás desse sucesso, surgiu Benjamin Botelho de Almeida, gestor da Sefer Investimentos, que teria estruturado fundos e movimentado recursos de forma suspeita.
A Polícia Federal, por meio da Operação Compliance Zero, investigou fraudes bilionárias envolvendo o Master, apontando Botelho como operador de Vorcaro desde o início das atividades do banco. A investigação revelou compras de fundos imobiliários, debêntures e a criação de empresas de fachada.
Conforme divulgado pelo Estadão, a Sefer defende a regularidade de suas operações, enquanto a defesa de Vorcaro se recusa a comentar o caso.
Como a parceria entre Vorcaro e Botelho moldou o Banco Master
Arquitetura inicial e apoio financeiro
Benjamin Botelho, ex‑executivo do Banco Garantia, fundou a Sefer em 2003 e já era experiente na estruturação de fundos quando Vorcaro assumiu o então Máxima, que viria a se tornar o Banco Master. A Sefer teria fornecido capital e suporte técnico para a primeira fase do banco.
Operações suspeitas apontadas pela PF
A PF identificou “compra e venda de fundos imobiliários, debêntures e outros títulos de origem duvidosa, constituição de empresas de fachada e conflitos de interesses entre empresas da mesma família”.
Um exemplo citado foi a aquisição de um terreno em Aracaju por um fundo da Sefer, que nunca foi desenvolvido e gerou prejuízos a investidores de fundos de pensão.
Transação de R$ 500 milhões com a Fictor
Botelho participou de um negócio de mais de R$ 500 milhões entre uma empresa de Vorcaro nas Ilhas Cayman e a Fictor, que anunciara a compra do Master pouco antes da liquidação do banco em 2025.
Após a tentativa frustrada, a Fictor entrou em recuperação judicial, listando a Sefer como segunda maior credora. Na prática, a dívida de R$ 430 milhões corresponde a valores ainda não pagos pela aquisição de precatórios da Titan Holding.
Paraísos fiscais e a “holding ostentação”
Botelho possui empresas em Portugal, Delaware e Suíça, muitas delas ligadas à Titan Holding, sede de Vorcaro em um prédio da Faria Lima. A Titan, anteriormente chamada Master Holding, foi usada para canalizar recursos entre a Sefer e a Fictor.
Defesas da Sefer
A Sefer DTVM afirmou que “são inverídicas as informações que atribuem a determinadas pessoas físicas a condição de cotistas dos fundos” e que todas as operações “observam rigorosamente a legislação do mercado de capitais”.
O caso do Banco Master ilustra como redes de consultoria e estruturas offshore podem influenciar grandes operações financeiras, beneficiando poucos enquanto investidores institucionais sofrem perdas.
Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







