O cacau produzido em sistemas agroflorestais está ganhando destaque como motor econômico na região da Transamazônica. Segundo a reportagem do Estadão, a produção nacional tem potencial para gerar R$ 8,1 bilhões ainda neste ano.

Em entrevista ao Estadão, Cíntia Moreira, CEO da Dengo Chocolates, explicou que a empresa opta por comprar todo o cacau de origem nacional, direto de pequenos produtores que adotam práticas rastreáveis e sustentáveis, ao contrário da maioria das marcas que depende de importação da África.

Moreira destaca ainda que a Dengo paga um prêmio acima do preço de mercado – 107 % a mais em 2023 – para incentivar a agrofloresta e revitalizar a reputação internacional do cacau brasileiro, antes afetada pela praga da vassoura‑de‑bruxa nos anos 1990.

Estratégia de pagamento premium e rastreabilidade

A Dengo mantém um modelo “bean to bar”, controlando cada etapa, da fermentação à torra, garantindo qualidade superior. “A normativa fala de 25 % de cacau para chocolate ao leite; o nosso chocolate ao leite começa com 38 %”, afirmou a executiva.

Benefícios para os produtores

O pagamento de prêmio visa compensar os pequenos e médios agricultores, que geralmente não têm acesso a crédito. “Quando a commodity cai, eu aumento o prêmio para que eles continuem produzindo amêndoas de alta qualidade”, disse Moreira.

Impacto da queda nos preços da commodity

Apesar da redução da cotação do cacau de US$ 10 mil para US$ 3 mil por tonelada, a Dengo não repassou integralmente o aumento anterior ao consumidor, absorvendo parte nos custos operacionais e equilibrando a rentabilidade.

Investimento de R$ 100 mi e expansão internacional

A empresa anunciou um investimento de R$ 100 milhões para ampliar a produção e expandir internacionalmente, com foco na Europa. Atualmente, a Dengo conta com 57 lojas, das quais 19 são franquias, e espera crescer 30 % nas vendas anuais.

As novas lojas de Páscoa, lançadas neste mês, apresentam produtos com cacau agroflorestal por até R$ 399, reforçando a proposta de valor premium e sustentável.

Desafios de escala e futuro do cacau brasileiro

Mais hectares ainda precisam de investimento em manejo e tecnologia para aumentar a produtividade agroflorestal. “Precisamos de linhas de crédito e apoio público‑privado para que o pequeno produtor escale a produção sem abrir mão da sustentabilidade”, argumenta Moreira.

Segundo a CEO, o Brasil tem condição de alcançar o mesmo patamar que o café no cenário mundial, graças à sua biodiversidade e ao potencial sensorial único do cacau agroflorestal.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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