Explosões atingem Dubai, nos Emirados Árabes Unidos

A retaliação do Irã aos ataques feitos por EUA e Israel neste sábado, 28, atingiu o coração financeiro e turístico do país. Crédito: Associated Press

As tensões no Oriente Médio servem como um lembrete de que a região não é apenas crucial para o fornecimento global de petróleo e gás, mas também um canal vital para os passageiros aéreos do mundo todo. Nas últimas duas décadas, as “superconectoras” do Golfo — Emirates, Etihad e Qatar Airways — ajudaram viajantes de longa distância a percorrer o mundo. Em meio ao conflito, dezenas de milhares desses passageiros ficaram retidos. Os esforços para retomar os serviços, ainda que “limitados”, têm sido intermitentes.

Em 16 de março, a Emirates foi obrigada a cancelar voos e redirecionar algumas aeronaves em pleno ar após um ataque com drones ao aeroporto de Dubai. O impacto no setor aéreo global pode persistir mesmo depois do fim da guerra.

O Oriente Médio passou a desempenhar um papel central na aviação. Antes do conflito, a IATA, uma associação comercial, havia previsto que a região seria responsável por 17% dos US$ 41 bilhões em lucros líquidos esperados para o setor aéreo global em 2026.

A Emirates é a maior companhia aérea internacional do mundo e também a mais lucrativa. Ela e sua parceira de voos de curta distância, a FlyDubai, fizeram grandes encomendas de aeronaves no Dubai Airshow em novembro, assim como a Etihad, apostando em um crescimento ainda maior.

Essa situação agora parece ameaçada. O desenvolvimento de Dubai como um importante polo turístico e comercial fez com que a cidade se tornasse o destino de cerca de metade dos passageiros da Emirates. Passageiros em conexão, que precisam passar apenas algumas horas em aeroportos do Golfo, podem retornar após o fim da guerra, talvez atraídos por grandes descontos. A recuperação do setor turístico será mais difícil.

As companhias aéreas do Golfo não são as únicas afetadas pelo conflito. Outras companhias aéreas que sobrevoam a região precisam alterar suas rotas. As companhias aéreas europeias que voam para a Ásia têm evitado o espaço aéreo russo desde o início da guerra na Ucrânia; sobrevoar o Oriente Médio tornou-se uma alternativa popular. Contornar outra zona de combate aumenta o tempo de viagem e o consumo de combustível.

E esse combustível está ficando mais caro. O preço do petróleo bruto agora gira em torno de US$ 100 por barril, em comparação com cerca de US$ 70 antes da guerra. Mas o impacto é ainda mais severo para as companhias aéreas. A diferença de preço entre o querosene de aviação e o petróleo bruto, ou o “spread de refino”, aumentou. Isso se deve em parte ao fato de 20% do querosene de aviação mundial passar pelo Estreito de Ormuz, observa James Noel-Beswick, da Sparta Commodities, uma empresa de dados. Os preços mais que dobraram desde o início dos combates, chegando a uma média de cerca de US$ 190 por barril.

O impacto será desigual. Para as companhias aéreas de baixo custo, o combustível representa cerca de um terço dos custos, em comparação com um quinto para as companhias aéreas tradicionais. As companhias aéreas também variam em seu nível de proteção. Algumas, como Ryanair, IAG e Qantas, estão bem protegidas contra aumentos de preços no curto prazo, amenizando o impacto. As grandes companhias aéreas americanas, no entanto, geralmente não estão protegidas, por considerarem a proteção cambial desnecessariamente complicada e cara (embora a Delta Air Lines tenha uma refinaria, o que ajudará).

Se os preços do combustível permanecerem altos durante todo o ano, isso poderá custar-lhes dezenas de bilhões de dólares, de acordo com o Deutsche Bank. Em resposta ao aumento vertiginoso dos custos do combustível, algumas companhias aéreas estão começando a deixar aeronaves em solo. A Air New Zealand está cancelando cerca de 1,1 mil voos entre agora e o início de maio.

Tudo isso representa uma oportunidade para algumas companhias aéreas. Com as companhias aéreas do Golfo fora de operação e outras suspendendo voos, as tarifas dispararam. A British Airways, parte do grupo IAG, já adicionou voos extras para Singapura e Bangkok. A Lufthansa, da Alemanha, registrou um aumento de 60% nas reservas de voos para a Ásia em março.

A demanda por viagens aéreas sofrerá no curto prazo, principalmente se a alta dos preços da energia prejudicar o crescimento econômico. Mas, no passado, ela conseguiu se recuperar rapidamente após interrupções. Enquanto isso, as concorrentes das companhias aéreas do Golfo aproveitarão a oportunidade para reconquistar alguns de seus cliente.

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Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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