BRASÍLIA — O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), reapresentou o pedido de quebra de sigilo do fundo Arleen, usado pelo cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, para comprar fatias do resort Tayayá, ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no Paraná.

Vieira também apresentou um requerimento para quebrar o sigilo do fundo Leal, único cotista do fundo Arleen, e que pertence a Fabiano Zettel, também usado na compra do Tayayá. A investigação apura o uso do fundo do fundo Leal para lavagem de dinheiro e evasão de divisas em larga escala por Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro.

Com o uso dos fundos, Zettel passou a ser sócio do resort Tayayá, por meio de aportes R$ 20 milhões no empreendimento. Até então, familiares de Toffoli apareciam como administradores do resort por meio da empresa Maridt, da qual o próprio ministro admitiu também fazer parte como sócio anônimo.

Na semana passada, o ministro do STF Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen aprovada pela CPI, proposta pelo senador Sérgio Moro (União-PR). Gilmar havia derrubado anteriormente a quebra de sigilo da Maridt, também aprovada pela comissão.

Agora, o relator apresentou o surgimento de fatos novos para insistir no pedido, incluindo pagamento feito pela J&F, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, de R$ 25,9 milhões à empresa que comprou as cotas do resort. O caso foi revelado pelo Estadão.

Paralelamente, a CPI recorreu da decisão do ministro Gilmar Mendes. A cúpula da comissão apresentou outro recurso diretamente ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin. O relator e o presidente, senador Fabiano Contarato (PT-ES), se reuniram com o ministro na segunda-feira, 23, e pediram para ele reverter a determinação de Gilmar e a redistribuição do processo para outro magistrado.

“O recurso tradicional depende da boa vontade do Gilmar, que a gente sabe que não existe”, disse o senador ao Estadão. Segundo ele, Fachin se comprometeu a deliberar sobre os pedidos em um prazo razoável e levar o caso ao colegiado do Supremo. “Existe um caso criminal grave, uma crise institucional e ministros do Supremo desmoralizando a Corte de forma ostensiva com decisões que são incompatíveis.”

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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