Com a transferência da sede administrativa para o bairro dos Campos Elíseos, no Centro de São Paulo, o governo estadual terá que encontrar um bom uso para o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para o imóvel não se tornar um “elefante branco”.

A Secretaria de Projetos Estratégicos do Estado informou à Coluna que o Palácio continuará abrigando a residência oficial do governador, contando com um gabinete ali. Entretanto, isso manterá o governador a 13 quilômetros de distância (uma hora de carro) da nova sede.

A secretaria informou também que a atual sede “deverá ser mantida para atividades protocolares, além da visitação pública e preservação do acervo”. O complexo tem cerca de 4 mil obras, incluindo peças de Victor Brecheret, Tomie Ohtake, Tarsila do Amaral, Sylvio Alves e outros expoentes da cultura nacional e internacional. Da mesma forma, o acervo ficaria distante de onde estará o grande público, no Centro.

Projeto no Centro é grande bandeira do governador

A revitalização da região central da capital paulista é uma das principais bandeiras do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A principal iniciativa envolve a construção da nova sede do governo nos Campos Elíseos. O projeto foi levado a leilão com sucesso em fevereiro.

O novo complexo terá investimentos de R$ 6 bilhões para construção de sete prédios de escritórios nos entornos da Praça Princesa Isabel até 2031. Quando pronto, reunirá 22 mil servidores públicos, que hoje dão expediente tanto no Palácio dos Bandeirantes, quanto nas secretarias situadas em prédios espalhados por mais de 40 endereços na capital.

No caso dos prédios atualmente ocupados pelas secretarias estaduais, os imóveis que são alugados terão os contratos finalizados para corte de despesas. Já os edifícios próprios poderão ser vendidos ou adaptados para outros usos de interesse público. Segundo o governo, os imóveis próprios são a maioria, mas não detalhou quantos, exatamente. Entre eles estão as edificações das secretarias de Fazenda e Planejamento, Segurança Pública, e Justiça e Cidadania.

“As secretarias ocupam cerca de 850 mil m² de área. A dispersão exige a manutenção de estruturas replicadas de gestão, segurança, manutenção predial e logística administrativa, além de custos permanentes com conservação de edifícios, muitos deles antigos e que demandam investimentos frequentes para atualização de infraestrutura”, informou o governo.

Empresários estão de olho

Alguns empresários do setor imobiliário gostariam que houvesse uma discussão a respeito de uma potencial venda ou cessão do espaço para a iniciativa privada. Há interesse de explorar o potencial imobiliário do terreno e também uma percepção de que falta um uso mais adequado para a futura antiga sede, embora isso seja contestado por quem defenda a conservação da edificação histórica.

Reservadamente, empresários avaliam que o local tem vocação para receber um empreendimento residencial de alto padrão e/ou empreendimentos ligados às áreas de educação e saúde, como ocorre no vizinho Hospital Albert Einstein. Os projetos poderiam ser arquitetados de modo a conservar o complexo, que é parcialmente tombado.

A quadra onde fica o Palácio é considerada de uma zona de uso misto, que comporta residenciais, comércios e serviços, segundo a lei de zoneamento vigente. No passado, foi uma Zona Especial de Preservação Cultural, que restringia os tipos de uso, mas isso acabou revogado.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 18/03/2026, às 18:42

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Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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