A reunião do Copom de terça-feira, 17, e quarta-feira, 18, acontece em meio a um novo choque do petróleo, um fato recorrente que desencadeia pressões inflacionárias e ameaça o crescimento da economia mundial. Até o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, estava posto que o Banco Central iniciaria a temporada de redução dos juros. Mas o cenário para a inflação mudou para pior.

O preço do barril de petróleo tipo Brent saltou de US$ 77 no dia 27 de fevereiro para mais de US$ 100 na semana passada. Chegou a ser negociado a US$ 119 nos dias 8 e 9 de março. Não se sabe quando a guerra acabará, quando o trânsito de petroleiros pelo Estreito de Ormuz — por onde passa 20% da produção mundial de petróleo — será normalizado e, portanto, quando os preços se estabilizarão; nem em qual nível.

Incertezas são parte da rotina das autoridades monetárias na hora de decidir sobre juros. A questão nesse caso em particular é que o choque de preços é muito recente. Antes dele havia a convicção de que a inflação estava em lento recuo, o que permitia alguma redução na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.

Agora, o Banco Central tem de lidar com a perspectiva de petróleo mais caro por tempo indeterminado e sem ter ainda à disposição indicadores suficientes para tentar calcular os efeitos futuros na inflação.

Sabe-se que esses efeitos virão. O preço do petróleo se dissemina rapidamente pelas cadeias produtivas e impacta os preços ao consumidor. Apenas recentemente as projeções haviam voltado a indicar inflação dentro da meta de 3%, com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Na semana passada, as primeiras projeções do mercado já levavam esse número para perto de 5%, de volta para fora da meta que o BC tem de perseguir.

Até o final de fevereiro, o Banco Central tinha em seu cenário uma política fiscal expansionista por parte do governo, que alimenta a inflação, e não vai mudar no médio prazo.

Agora, soma-se a isso um choque inflacionário em escala mundial, causado por uma das principais fontes de energia, com capacidade de rápida disseminação pelos preços. É um cenário mais pessimista, que deixa menor espaço para eventuais cortes nos juros.

Já escrevi aqui que autoridades monetárias precisam, antes de tudo, ter coragem de tomar as medidas necessárias para manter a estabilidade da economia. Em momentos de incerteza, a cautela de esperar pela evolução do cenário pode ser um sinal de coragem. O Copom tem uma decisão difícil à frente.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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