Entre 1º de março e 3 de abril, 221 embarcações de petróleo, gás ou outros produtos atravessaram o Estreito de Ormuz, a maioria a caminho ou vindo do Irã, segundo análise da AFP. A reabertura da via marítima foi um dos principais objetivos dos Estados Unidos no acordo de cessar-fogo com o Irã, anunciado pelo ex‑presidente Trump.

Entretanto, o simples desbloqueio do estreito representa apenas o primeiro passo para restabelecer o fluxo de energia no Golfo. Refinações, tanques de armazenamento e campos de produção em ao menos nove países foram atingidos por ataques, interrompendo mais de 10% do abastecimento mundial de petróleo.

Especialistas afirmam que a volta à normalidade exigirá inspeções, reposição de equipamentos e o retorno de equipes técnicas espalhadas ao redor do mundo. Como destacou Martin Houston, executivo veterano do setor, “não é uma questão de simplesmente apertar um botão e tudo voltar ao normal”. Fonte: Estadão.

Impactos imediatos da reabertura do Estreito de Ormuz

Primeira fase: transporte de estoques acumulados

Com a confiança de que os navios podem transitar em segurança, a prioridade será escoar os tanques de armazenamento regionais. Depois, poços que ainda estejam operacionais deverão ser reativados em dias ou semanas, conforme analistas do setor.

Desafios de longo prazo: reparos e reposição de equipamentos

A recuperação completa demandará meses, e a substituição de peças críticas pode levar anos. No Catar, por exemplo, a usina de gás natural liquefeito Ras Laffan teve 17% de sua capacidade destruída; substituir os grandes refrigeradores pode levar até dois anos.

Consequências para os consumidores

Mesmo com a queda dos preços internacionais do petróleo, os preços da gasolina nos postos provavelmente permanecerão elevados. Estoques de energia já estão escassos, e a extensão das interrupções pode manter os valores acima do nível pré‑guerra por bastante tempo.

Riscos de danos permanentes nos poços

Poços fechados por longos períodos podem sofrer desequilíbrio de pressão, corrosão e acúmulo de água e sulfeto de hidrogênio, dificultando a retomada da produção. A Arábia Saudita e o Iraque, que injetam gás ou água para melhorar a extração, enfrentarão ainda mais complexidade na reestabilização.

Para os consumidores, isso significa que os preços da gasolina nos postos — que recentemente ultrapassaram US$ 4 por galão nos EUA — provavelmente não voltarão aos níveis pré‑guerra tão cedo, mesmo que os preços internacionais do petróleo tenham caído consideravelmente. As cadeias de suprimentos de peças especializadas também estão sobrecarregadas, o que pode atrasar ainda mais a recuperação.

Os analistas do Société Générale projetam que o petróleo será negociado em torno de US$ 80 o barril no final de 2026, acima da previsão anterior de US$ 65, refletindo o risco de novas perturbações geopolíticas.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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