Rússia e China vão entrar na guerra do Irã? Como os países foram atingidos pelas ações dos EUA?

Apesar das relações políticas e econômicas com Teerã, tanto Moscou quanto Pequim têm oferecido, até agora, apenas apoio retórico à República Islâmica. Crédito: Imagens: AFP

A guerra no Oriente Médio levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, reduzindo a produção de petróleo dos países do Golfo em 10 milhões de barris diários, segundo a AIE. Esta é a maior perturbação de fornecimento da história, afetando Iraque, Catar, Kuwait, Emirados Árabes e Arábia Saudita. A AIE liberou 400 milhões de barris de reservas emergenciais. A situação beneficia produtores da América Latina, mas eleva tarifas de frete. Compradores asiáticos buscam alternativas nos EUA, África Ocidental e América Latina.

Os países do Golfo reduziram a produção de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris diários com o bloqueio do Estreito de Ormuz pela guerra no Oriente Médio, o que representa “a maior perturbação” de fornecimento da história, afirmou nesta quinta-feira, 12, a Agência Internacional de Energia (AIE).

“A produção de petróleo bruto foi reduzida em pelo menos 8 milhões de barris por dia (mb/d), em conjunto com 2 mb/d” relacionados a derivados de petróleo (incluindo os condensados), que foram “paralisados”, destacou a AIE, por meio de um relatório.

Em particular, segundo a agência, foram registradas “importantes reduções da oferta” no Iraque, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, países alvos de atos de represália do Irã. A situação pode representar uma oportunidade para vários produtores da América Latina, como Brasil, Venezuela e México, porém com valores de frete elevados.

“A guerra no Oriente Médio está provocando a maior perturbação do fornecimento em toda a história do mercado mundial de petróleo”, afirma o relatório da agência de energia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris.

Os fluxos de petróleo bruto e derivados que atravessam o Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o comércio mundial, eram de cerca de 20 mb/d antes do conflito regional, no qual o Irã fechou de fato o tráfego pelo estreito.

No momento, o fornecimento foi reduzido ao mínimo. A AIE calcula que o fornecimento mundial de petróleo deve registrar queda de 8 milhões de barris por dia em março, já que as reduções de produção no Oriente Médio serão apenas parcialmente compensadas por um aumento da produção dos países não membros da aliança ampliada Opep+, assim como do Cazaquistão e da Rússia.

O relatório também destaca que “as interrupções nas exportações a partir do Golfo Pérsico estão obrigando as refinarias a diversificar suas fontes de fornecimento, e os compradores asiáticos recorrem cada vez mais aos Estados Unidos, África Ocidental e América Latina”.

Contudo, as rotas comerciais mais longas exigem mais navios e tempo, “o que intensifica a pressão de alta sobre as tarifas de frete” e impacta os preços.

Na quarta-feira, 11, a AIE informou que seus 32 países-membros concordaram de forma unânime em liberar 400 milhões de barris de petróleo de reservas emergenciais para o mercado, em resposta das interrupções de oferta provocadas pela guerra no Oriente Médio. A medida ocorre em meio ao colapso dos fluxos energéticos pelo Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio global da commodity.

Segundo comunicado da entidade, a decisão de adotar a ação coletiva foi tomada após reunião extraordinária, convocada para avaliar as condições do mercado diante do conflito na região. “Os desafios que estamos enfrentando no mercado de petróleo são sem precedentes em escala”, afirmou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, na ocasião. /AFP

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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