A Opea, gestora e securitizadora de crédito estruturado, projeta dobrar o volume de operações ligadas ao agronegócio até o fim de 2026. No início do ano, a companhia tinha R$ 4,9 bilhões sob gestão, dos quais R$ 4,3 bilhões, ou 88%, relacionados ao setor rural.

Parte da expansão deve vir de estruturas como os Fiagros FIDC, fundos que compram carteiras de recebíveis de cooperativas, revendas e indústrias de insumos e reúnem esses contratos em um único veículo financeiro. “As fontes tradicionais de recursos estão dando sinais de esgotamento. Faz muito sentido que o mercado de capitais ganhe espaço”, conta à coluna Flávia Palacios, CEO da Opea.

Aposta em operações em dólar

A Opea visa ampliar operações com investidores estrangeiros em 2026. No ano passado, estruturou um título de crédito do agro de US$ 56 milhões listado na Bolsa de Viena, na Áustria. Para este ano, a meta é realizar de duas a três vezes esse volume, aproveitando o perfil exportador do agro brasileiro, com receita em dólar.

Fidelização

A Syngenta, multinacional de sementes e defensivos agrícolas, registrou, no ano passado, R$ 77 milhões em resgates no Acessa Agro, programa de fidelidade que completa sete anos em 2026 e transforma compras de insumos em pontos, as chamadas SynCoins, trocáveis por equipamentos, serviços e tecnologias. Foram mais de 19 mil itens resgatados e 110 mil clientes engajados. “A campanha é uma das principais iniciativas estratégicas de 2026 e visa dar maior agilidade ao ciclo de benefícios do produtor”, afirma Kelly Marques, gerente de CRM & Loyalty da companhia.

Grão versátil

A Inpasa, produtora de etanol de milho, está investindo R$ 9 milhões em uma linha própria de nutrição animal, a FortiPro, a partir de DDGS, um coproduto resultante da fabricação do biocombustível. O DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) é utilizado na alimentação de rebanhos, sobretudo gado. Do aporte total, R$ 4 milhões foram direcionados para a criação de um laboratório próprio para a marca em Sidrolândia (MS). Outros R$ 5 milhões vão para ações de marketing.

Valor agregado

A estratégia da Inpasa visa posicionar o ingrediente pelo alto valor nutricional e pela tecnologia incorporada, não apenas como commodity, diz Rafael Verruck, diretor de Trading M.I. Óleo e DDGS. “Deixamos de entregar apenas um insumo para oferecer uma solução premium de nutrição animal. A proposta é transformar o potencial dos cereais em rentabilidade para o produtor”, afirma. A companhia produz aproximadamente 3,3 milhões de toneladas de DDGS por ano.

Cresce e…

A indústria de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados espera vender 3% a 5% mais em Colomba Pascal este ano, diz a Abimapi, associação que representa o setor. O crescimento deve ser impulsionado pelo cenário de alta no preço dos chocolates, pelo investimento dos consumidores no produto como presente e pelo lançamento de novos formatos, embalagens e sabores, avalia Claudio Zanão, presidente executivo da entidade. “A Colomba Pascal se estabeleceu como um doce querido pelos consumidores no Brasil e ampliou seu espaço.”

…Ganha espaço

Dados da consultoria NielsenIQ, encomendados pela Abimapi, revelam que o consumo de Colomba vem aumentando ano a ano no País. Em 2025, foram 8,4 mil toneladas e R$ 120 milhões comercializados na categoria, alta de 3,8% em volume e de 9,2% em valor. Para a associação, a iguaria se consolidou como uma alternativa “saborosa e econômica” para o consumo em família na Páscoa. “As indústrias inovam ano a ano, incluindo variações trufadas e recheadas com diversos doces, mantendo sua tradição ao mesmo tempo em que entregam novidades que agradam ao consumidor”, observa Zanão.

Não é bem assim

A onda de recuperações judiciais no agro é sintoma de falha na gestão, não só do cenário econômico, diz Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócios da consultoria EY. “Quem se profissionaliza sobrevive. O problema é a falta de disciplina de capital e liquidez”, diz Lopes.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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