‘Se rendam ou encarem a morte certa’, diz Trump sobre Irã; assista pronunciamento

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seguirá os ataques ao Irã até que todos os objetivos militares sejam atingidos.

Não é clara a estratégia americana frente à atual Guerra no Golfo, pois ela foi declarada em meio a negociações em Omã que pareciam avançar celeremente.

Creio que se pode afirmar que o regime iraniano não irá cair no futuro próximo. Mas é certo que o Irã sairá deste episódio muito mais fraco. Tudo vai depender da duração das hostilidades.

Parece útil pensarmos em dois cenários: um ou dois meses de conflitos ou algo mais prolongado. No primeiro caso, teremos um “calombo” na economia, com impacto em estoques (para baixo) e preços (para cima), sem alterar de forma drástica a direção da economia global. No segundo caso, menos provável a esta altura, teremos um choque do petróleo clássico.

Os efeitos diretos dessa situação já são visíveis. As cotações do petróleo (Brent e WTI) já subiram US$ 20 por barril! Naturalmente, fretes e seguros acompanham o movimento altista, bem como os preços da nafta e de outras matérias-primas petroquímicas. A Europa e a Ásia são as regiões mais afetadas de imediato.

Outro efeito é o impacto no grupo de fertilizantes, especialmente nitrogenados, dado que a região é importante produtora. Mas também o enxofre e os fertilizantes fosfatados estão sendo afetados. Todos os grandes produtores agrícolas sofrerão.

Finalmente, a estratégia de atacar os vizinhos adotada pelo Irã também levou ao cancelamento de milhares de voos. Como se sabe, a região se transformou em um importante hub global de turistas, homens de negócio e viajantes em trânsito, que se destinam à Ásia.

Os efeitos da situação sobre os Estados Unidos serão enormes e, antes de tudo, políticos. Pesquisas mostram que 60% dos americanos são contra a guerra. Além disso, a base MAGA rachou e boa parte dela (com o jornalista Tucker Carlson como espécie de porta-voz) é violentamente contra ações no exterior.

Já há um efeito imediato nos preços da gasolina, piorando o poder de compra da população. Mais ainda, a agricultura americana, que passa por uma fase difícil, enfrentará nova alta de custos.

Esses efeitos serão maiores quanto mais tempo durar a guerra.

No caso do Brasil, chamo a atenção apenas para três pontos. O setor externo brasileiro, no conjunto, seguirá forte. Haverá uma grande pressão para reajuste nos preços de combustíveis, dado que o diesel já tinha pelo menos 25% de defasagem quando da erupção dos conflitos. Eventuais reajustes serão positivos para a Petrobras e para a receita tributária, mas evidentemente negativos para a inflação.

O Banco Central terá mais um problema na definição da trajetória de queda da Selic.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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