Diante do arrefecimento do consumo e do investimento doméstico, o crescimento do PIB em 2025 tornou-se profundamente dependente de componentes exógenos. Trata-se de setores cujas dinâmicas dependem menos das taxas de juros locais e mais de fatores climáticos e da demanda externa, como a agropecuária e a indústria extrativa mineral (impulsionada pelo petróleo).
A agropecuária, isoladamente, saltou expressivos 11,7% em 2025. Contudo, olhar apenas para a porteira da fazenda pode ser redutor. Como destaca Fernando Rocha, sócio e economista-chefe da gestora JGP, o peso direto do setor no PIB (7,1%) não traduz sua real influência. Ao considerar o agronegócio como um todo – englobando a indústria alimentícia, o comércio de insumos e a vasta rede de serviços e logística voltada à exportação -, o complexo responde por aproximadamente 25% da economia nacional. Mesmo que o agronegócio expandido não tenha acompanhado o ritmo frenético da produção primária, ele foi o pilar que sustentou o crescimento de 2,3% do PIB total no ano passado.
Apesar do crescimento de 2,3% do PIB em 2025, a expansão na margem está quase parada há três trimestres. Os dados mostram um PIB “andando de lado” nesse período, com variações dessazonalizadas ante o trimestre anterior de 0,3%, 0,0% e 0,1% no segundo, terceiro e quarto trimestres do ano passado, respectivamente. Essa estagnação, entretanto, criou um efeito de base deprimida que pode facilitar uma surpresa estatística no início de 2026. Segundo Rocha, se o primeiro trimestre apresentar um crescimento de 1,8% em relação ao mesmo período de 2025, a variação dessazonalizada contra o trimestre imediatamente anterior poderá se aproximar de 1%, interrompendo a sequência de inércia.
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







