Você já imaginou que uma simples mordida em um hambúrguer poderia virar uma aula de negócios? Enquanto muitos acham que a inteligência artificial está fazendo “tudo”, eu observo que modelos consagrados de publicidade continuam vivos. Foi exatamente isso que aconteceu quando um vídeo do CEO do McDonald’s viralizou recentemente. Na gravação, ele prova um novo sanduíche e a reação parece tímida demais, quase protocolar. Em poucas horas, a internet começou a rir da cena.
O rival percebeu. Logo depois, o presidente do Burger King apareceu em outro vídeo dando uma mordida enorme em um Whopper. Um gesto simples, espontâneo e devastador do ponto de vista de comunicação. Marketing contemporâneo às vezes é isso: um gesto pequeno que revela uma verdade grande. Rousseau dizia que o ser humano reconhece a autenticidade antes mesmo de compreender a razão.
Eu vejo isso acontecer o tempo todo. Consumidores detectam quando um executivo parece distante do próprio produto. Detectam também quando alguém acredita no que está vendendo. No mercado de venture capital acontece algo muito parecido. Ao longo dos anos investindo em empresas, vi esse contraste inúmeras vezes.
Analisei inúmeros pitches de fundadores no início de rodadas early stage. Muitos falam da empresa como quem apresenta um relatório. Tudo correto, tudo organizado, mas descolado da vivência do dia a dia. Sabe aquela energia que você sente imediatamente? É isso. Ao mesmo tempo, percebo que a velocidade de comunicação hoje é imensamente maior e continua sendo um ativo de diferencial competitivo.

Disputa entre CEOs de Burger King e McDonald’s nesta semana mostrou que modelos consagrados de publicidade continuam vivos Foto: Ricochet64 – stock.adobe.com
Aristóteles chamava isso de phronesis, a prudência prática, a capacidade de agir corretamente no momento certo. Hoje essa virtude clássica ganhou outro nome no mercado: timing. A provocação do Burger King funcionou porque foi imediata. Não houve comitê interminável nem medo excessivo. Houve leitura de contexto. Empresas modernas não competem apenas em produto ou preço. Competem em narrativa. E quem controla a narrativa controla algo ainda mais valioso que participação de mercado: controla a atenção.
Leia outras colunas de Camila Farani
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







