Petróleo e gás disparam; Bolsas operam em queda após ataques ao Irã

Guerra lançada pelos EUA e Israel contra o Irã afeta a economia mundial. Hoje, preço do petróleo e do gás dispararam enquanto as Bolsas operavam em queda. Crédito: Crédito: AFP

Com as ameaças das autoridades do Irã de incendiar os navios que trafegarem pelo Estreito de Ormuz, parte das exportações de carne de frango do Brasil ficou sob risco. Para contornar a guerra e abastecer os mercados do Oriente Médio, os armadores tiveram de buscar alternativas.

Na segunda-feira, 2, eles haviam informado que evitariam tanto Ormuz (canal entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos) quanto outras rotas para a região, como as pelo Mar Vermelho.

Isso mudou, diz o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. Alguns embarcadores já aceitam entrar na região pelo Sul, pelo Mar Vermelho, por meio do Canal de Aden. Outra rota para o Mar Vermelho, pelo Canal de Suez, no entanto, está fechada preventivamente, por conta de decisão do administrador.

“Mas tudo pode mudar de um dia para o outro”, diz Santin. “Na segunda-feira, não havia a opção do Mar Vermelho, mas à medida que se percebeu que os bombardeios do Irã foram direcionados para bases militares e os países não entraram em guerra contra Irã, abriu essa opção de transporte. E o próprio Canal de Suez ficou fechado, no começo da guerra na Faixa de Gaza, por uma semana, e depois foi aberto.”

Esses caminhos pelo Mar Vermelho evitam a passagem pelo Irã, diferentemente do que acontece por Ormuz. Segundo Santin, um transporte do Brasil para o Oriente Médio leva cerca de 40 dias para chegar, mas há várias embarcações próximas da região, que com o começo da guerra precisaram adotar estratégias diversas para chegar a seus destinos.

Alguns atrasaram a navegação para esperar oportunidades melhores de passagem, outros podem redirecionar as cargas para outros países, como Singapura, Malásia, Sri Lanka e Japão, que possuem populações relevantes consumidoras de frango halal, quando o abate e a produção seguem a lei islâmica (como na maior parte do Oriente Médio).

Sem a possibilidade de utilizar Suez, o trajeto fica mais custoso e lento, levando 52 dias, e consumindo mais combustível. A alternativa é uma rota por meio do Cabo da Boa Esperança, pela África do Sul.

O caminho pelo Mar Vermelho permite acessar diretamente a Arábia Saudita e fazer a entrega por terra para os Emirados Árabes Unidos, o maior mercado da região para o frango brasileiro. Esse país, porém, compartilha o Estreito de Ormuz com o Irã, e os seus portos principais ficam depois dessa passagem. Uma alternativa é desembarcar os produtos em um porto menor, de Khor Fakkan, que fica antes de Ormuz e pode receber os desembarques.

Outros países que não podem ser acessados diretamente sem a passagem por Ormuz são o Catar e Kuwait. Por outro lado, Omã e Iêmen ficam virados para o Mar Arábico, sem a necessidade de passagem por Ormuz. Os desembarques podem ocorrer no porto de Salalah, em Omã. “Dos 12 países envolvidos, temos acesso negado a três deles, sendo que parcialmente aos Emirados Árabes.”

O Brasil se especializou nesse mercado

No ano passado, os países do Oriente Médio compraram cerca de US$ 3 bilhões em frango do Brasil e, assim, responderam por 29% das exportações do produto. Aproximadamente 200 mil contêineres por ano são enviados para a região. São de 250 a 300 contêineres por dia. A região, majoritariamente de consumidores muçulmanos e judeus, não é grande consumidora de carne suína.

“São parceiras longevas de longo prazo. O Brasil se especializou para atender esses mercados, e eles dependem do nosso fornecimento. Estamos trabalhando com o Ministério da Agricultura para garantir essas entregas, até para alimentar essas populações que podem ser afetadas pela guerra”, afirma Santin.

Os Emirados Árabes Unidos receberam 480 mil toneladas de frango no ano passado e têm 72% das exportações do produto vindo do Brasil. Mas a nação mais dependente da região é a Jordânia, com 92% das importações vindas do País, tendo comprado 74 mil toneladas, em 2025.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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