O Estreito de Ormuz, crucial para o escoamento de petróleo, está no centro das tensões globais após a escalada militar entre EUA, Israel e Irã. Teerã ameaça usar o controle da passagem como pressão, elevando o risco de crise energética. A Rússia alertou sobre o impacto no mercado petrolífero global. O preço do petróleo pode subir para US$ 80 a US$ 100 por barril. A Maersk suspendeu travessias no estreito por segurança. O tráfego diminuiu, com apenas petroleiros iranianos cruzando a área.

São Paulo — O risco em torno do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, passou a dominar as preocupações do mercado e das potências globais após a escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã. Com ameaças de retaliação e ataques a alvos estratégicos na região, Teerã sinaliza que pode usar o controle da passagem marítima como instrumento de pressão, ampliando o temor de choque nos preços da energia e de uma crise internacional de maiores proporções.

Neste domingo, 1º, o Ministério dos Assuntos Estrangeiros da Rússia alertou para as consequências do fechamento do Estreito de Ormuz para o mercado petrolífero mundial em meio aos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã. A passagem é a única saída do Golfo Pérsico para o mar aberto e por lá passa cerca de 20% do petróleo exportado pelos países árabes do Golfo.

“Foi relatado que a navegação foi interrompida no Estreito de Ormuz. Isso pode levar ao bloqueio de exportações de hidrocarbonetos na região e criar um desequilíbrio significativo nos mercados globais de petróleo e gás”, diz a chancelaria russa em nota sobre a situação no Irã.

Os preços do petróleo podem subir para uma faixa de US$ 80 a US$ 100 por barril em meio aos desdobramentos das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. O Brent fechou a semana na sexta, 27, perto da máxima em sete meses, a cerca de US$ 73 por barril.

Analistas de Wall Street projetam o petróleo a US$ 80, mas alertam para cotações ainda mais altas caso a tensão entre EUA e Irã aumente e o conflito se prolongue.

O Estreito de Ormuz conecta grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, e concentra cerca de 20% do fluxo global da commodity.

A Maersk, uma importante empresa de transporte marítimo com sede em Copenhague, afirmou que irá “suspender todas as travessias de embarcações no Estreito de Ormuz até novo aviso”, citando preocupações com a “segurança de nossas tripulações, embarcações e cargas de clientes”.

O tráfego no Estreiro havia diminuído drasticamente ao meio-dia de domingo no Irã. Apenas petroleiros iranianos pareciam estar fazendo a travessia, de acordo com Dimitris Ampatzidis, analista da empresa de pesquisa Kpler.

Os navios que deixavam a hidrovia sinalizavam que estavam se dirigindo a portos iranianos ou não haviam divulgado seu destino, afirmou a Kpler.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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