A comercialização direta de diesel pela Petrobras registrou um salto impressionante no primeiro trimestre de 2026. O volume saltou de 1,1 milhão para 23,4 milhões de litros, representando um aumento superior a 2.000% em comparação ao final do ano anterior.

O movimento é liderado pela estratégia da estatal de atender grandes consumidores, com destaque para a operação em Minas Gerais, que concentrou a maior parte dessa oferta. As informações foram obtidas por meio de dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, conforme divulgado pelo Estadão.

Essa mudança na dinâmica de mercado tem gerado críticas severas das distribuidoras de combustíveis. O setor alega que a prática desequilibra a concorrência, especialmente por não exigir a compra de Créditos de Descarbonização, conhecidos como CBIOs, o que questiona o compromisso ambiental das envolvidas.

Entenda a disputa pela venda direta de combustíveis

As distribuidoras acreditam que a Petrobras utiliza a venda direta como uma forma de contornar limitações contratuais. Após a venda da BR Distribuidora, a estatal ficou proibida de atuar diretamente no segmento de distribuição até 2029.

O Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom) já buscou, sem êxito, a suspensão da medida junto à ANP. O órgão regulador sustenta que a venda direta é permitida pela Resolução 852/2021 e não representa uma novidade jurídica para o setor.

Impacto da parceria entre Petrobras e Vale

Um dos grandes focos da Petrobras é a parceria com a mineradora Vale. Contratos estratégicos permitem que o combustível seja entregue diretamente ao consumidor final, sem passar pelos intermediários tradicionais que compõem a cadeia de distribuição nacional.

Enquanto a Petrobras afirma que suas operações seguem estritamente a legislação vigente, a Vale mantém sigilo sobre os detalhes contratuais. A estatal reforça que avalia constantemente a elegibilidade de novos clientes para o modelo de venda direta.

Tensões com o setor de distribuição

O cenário é agravado pela crise global. A guerra no Oriente Médio elevou os preços e gerou incertezas no fornecimento, com relatos de que parte dos pedidos das distribuidoras não foi atendida pela Petrobras nos últimos meses devido às prioridades da estatal.

Além de Minas Gerais, o modelo cresce em São Paulo e no Rio de Janeiro. A intenção da Petrobras é clara: expandir sua influência também no agronegócio, mirando especialmente regiões como o Centro-Oeste e o Matopiba nos próximos anos.

O futuro das vendas da estatal

A estatal planeja intensificar a oferta de diesel renovável e focar no atendimento direto. Para o mercado, o movimento sinaliza uma mudança estrutural, onde a companhia tenta retomar fatias de mercado perdidas com a privatização de sua antiga rede de distribuição.

A fonte original deste conteúdo é o Estadão e a matéria completa pode ser consultada através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Brasil adere a programa de pesquisa para agricultura sustentável da OCDE

Brasil entra em programa estratégico da OCDE para impulsionar a tecnologia e a sustentabilidade na agricultura tropical com foco em inovação

Adesão ao Programa de Pesquisa Cooperativa fortalece o papel do agronegócio nacional no cenário global e promove o intercâmbio científico
Justiça inclui 43 empresas do Grupo Fictor no processo de recuperação judicial

Justiça inclui 43 empresas do Grupo Fictor no processo de recuperação judicial

Master se beneficiou de fraude ao comprar precatório e dinheiro foi parar…
Como construtoras se preparam para oportunidades da futura sede do governo no Centro de São Paulo?

Como construtoras se preparam para oportunidades da futura sede do governo no Centro de São Paulo?

Nova sede do governo no centro de SP prevê fim do Terminal…
Carbono Oculto: segunda fase mira 6 fintechs envolvidas em esquema criminoso no setor de combustível

Operação Fluxo Oculto: Receita Federal mira R$ 26 bilhões em fintechs do crime organizado

Entenda como funcionava o banco paralelo usado para lavar dinheiro no setor de combustíveis.