Javier Milei assumiu a Argentina em meio a uma crise brutal, com inflação mensal de 25,5% e anual de 289,4%. Dois anos depois, o presidente libertário conseguiu reduzir a alta de preços para menos de 3% ao mês e cerca de 30% em 12 meses. Mas será que isso é um milagre econômico sustentável?
O ajuste fiscal radical mudou o rumo do país, gerando superávit orçamentário pela primeira vez desde 2012. Economistas elogiam a velocidade da desinflação, mas alertam para obstáculos como indexação de preços e reajustes em serviços públicos. A economia cresce novamente, recuperando níveis pré-crise.
Conforme divulgado pelo Estadão, o primeiro episódio da série “Libertário em xeque” questiona se as medidas de Milei bastam para um patamar anual de um dígito na inflação.
Desinflação Rápida, Mas Tendência de Alta Preocupa
A inflação argentina caiu impressionantemente sob Milei. De 25,5% mensal no início, chegou a 1,5% em maio de 2025, mas subiu para 2,9% em janeiro de 2026. Para um dígito anual, precisa ficar abaixo de 0,79% mensal.
Fabio Giambiagi, do Ibre/FGV, ficou impressionado com a velocidade: “É mais fácil reduzir de 10% para 2% ao mês do que de 2% para 0,15%”. Reajustes em energia elétrica podem complicar a meta prometida de menos de 1% a partir de agosto.
O FMI projeta 16,4% para 2026, enquanto o Itaú estima 20%. O crescimento econômico atingiu 5,5% na era Milei, fechando uma recessão em V.
Renúncia no Indec e Mudanças na Metodologia
Marco Lavagna renunciou ao Indec dias antes de uma nova cesta de consumo, que daria mais peso a serviços como celular e públicos, pressionando a inflação. Luis Caputo, ministro da Economia, adiou a mudança e antecipou 2,5% para janeiro, mas o número oficial foi 2,9%.
“Como ele diz 2,5%, mas vem 2,9%? É uma desmoralização gratuita”, criticou Giambiagi. Caputo prioriza estabilizar o controle inflacionário antes de alterações.
A banda cambial ancora expectativas, mas exige reservas que a Argentina ainda não tem em abundância.
Visão Dividida dos Economistas Sobre o Milagre Econômico
Carlos Melconian, ex-presidente do Banco de la Nación, diz que superávit fiscal é necessário, mas insuficiente sem programa completo, incluindo cambial. “Estamos no terceiro ano sem um programa claro”.
Giambiagi cobra paciência, rigor fiscal e fim da indexação, como reajustes mensais de aposentadorias. Dante Sica vê inflação de um dígito em 2026 se mantiver o fiscal e eliminar restrições cambiais.
Andres Borenstein, do BTG, prevê 20% em 2026 e um dígito em 2028. A pobreza caiu de 57% para cerca de 39%, e o risco-país despencou de 3.000 para 560 pontos.
A fonte original é o Estadão e você pode ler a matéria completa aqui.







