O plano econômico de Romeu Zema para uma eventual candidatura à Presidência promete mudanças estruturais profundas no Brasil. Entre as prioridades, estão a privatização de gigantes estatais e uma revisão completa nas leis trabalhistas e previdenciárias do país.
De acordo com Carlos da Costa, coordenador da pauta econômica do mineiro, o objetivo é reduzir o tamanho do Estado e focar em serviços essenciais. A estratégia envolve vender ativos valiosos já nos primeiros meses de gestão para abater a dívida pública.
O projeto também prevê a criação de um novo modelo de trabalho para tirar milhões de brasileiros da informalidade e garantir segurança jurídica. Os detalhes foram apresentados em entrevista exclusiva, conforme divulgado pelo Estadão.
Privatização da Petrobras e Banco do Brasil como prioridade
Reforma da Previdência e o modelo de capitalização
No primeiro mandato, a ideia é reduzir o déficit sob o regime atual, mas com uma transição planejada. Carlos da Costa afirma que será a última reforma no regime de repartição, abrindo caminho para a capitalização em um segundo momento.
“Nos quatro primeiros anos, o que a gente precisa é reduzir o déficit da Previdência”, diz o coordenador. A proposta inclui um Conselho da Previdência Social para decidir sobre idade mínima e alíquotas, com foco no amadurecimento social.
Costa destaca que, em um eventual segundo mandato, o objetivo é adotar o regime de capitalização, inspirado no modelo chileno. Segundo ele, essa mudança traria mais investimentos e sustentabilidade para o futuro dos brasileiros.
Mudanças na CLT e o fim da informalidade
O plano de Zema prevê um regime de trabalho alternativo à CLT, permitindo que o trabalhador negocie jornadas diretamente. A ideia é dar legitimidade a relações que hoje ocorrem apenas na informalidade, sem proteção jurídica.
“Acho que a gente tem de começar a tratar o brasileiro como adulto que sabe fazer as suas escolhas”, defende Costa. Ele acredita que a flexibilidade vai atrair investimentos das empresas na qualificação dos seus colaboradores.
A proposta visa integrar os cerca de 30% de trabalhadores informais ao sistema formal. Assim, eles teriam a proteção de um contrato e a garantia de que os termos acordados com o empregador serão realmente cumpridos.
Reforma Administrativa e cortes no serviço público
A reforma administrativa seria dividida em duas etapas, começando pelo congelamento de contratações, o chamado hiring freeze. Costa também planeja o corte de 30% dos cargos comissionados para otimizar a gestão pública logo no início.
Na segunda fase, o plano prevê a revisão de carreiras, mantendo a estabilidade apenas para funções essenciais de Estado. As demais categorias passariam por avaliações de desempenho, com possibilidade de demissão em casos de má performance.
Para Costa, a meritocracia deve ser o pilar do setor público, acabando com privilégios antigos. “A pessoa que tem má performance continuada precisa ser demitida do setor público, porque não está prestando um bom serviço”, pontua.
Novas regras para o Bolsa Família e Comércio Exterior
Sobre o Bolsa Família, o plano propõe um prêmio de R$ 5 mil para quem deixar o programa voluntariamente. Além disso, beneficiários saudáveis que recusarem ofertas de trabalho repetidamente podem perder o auxílio governamental.
No comércio exterior, a meta é zerar o Custo Brasil em dois mandatos, reduzindo impostos e burocracia. Costa afirma que, à medida que o custo interno cair, as alíquotas de importação também serão reduzidas progressivamente.
A visão é transformar o Brasil no país mais aberto do mundo, eliminando a armadilha da pobreza gerada por tarifas altas. A reforma tributária seria mantida, mas simplificada em relação ao modelo defendido pela gestão atual.
A fonte original desta notícia é o Estadão.



