O setor de infraestrutura para processamento de dados no Brasil vê um cenário nebuloso para a votação do projeto que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) nesta semana. Segundo representantes das empresas de data centers que acompanham a tramitação, a expectativa inicial de aprovação rápida se esvaziou, pois a pauta na Câmara travou com o Projeto de Lei Antifacção, da área de segurança pública.

Mesmo que a votação ocorra na Câmara, não se sabe se há acordo para que o Senado vote a questão no mesmo dia, segundo as fontes, e mesmo que tramite sob urgência, o projeto do Redata ainda não tem relator. Soma-se a isso o fato de que a medida provisória que instaurou o regime tributário caduca nesta terça-feira, 24.

O setor estima que cerca de R$ 100 bilhões em investimentos potenciais para a área estejam represados por causa da dificuldade de aprovar a política. O governo federal lançou o Redata em setembro, com corte nos impostos federais para importação de equipamentos de informática.

Alta no Imposto de Importação pesa

O setor privado também tem demonstrado insatisfação com a decisão do governo de aumentar o imposto de importação para bens de informática, telecomunicações e bens de capital. Entidades interessadas dizem que o regime especial “terá quase nulidade” com a elevação das tarifas. “Visibilidade de longo prazo e segurança jurídica são fundamentais, já que os investimentos em data centers exigem aportes iniciais elevados”, afirmou a Moody’s, em relatório sobre o tema.

Diante do impasse dos últimos meses, esta semana é vista como decisiva pelo setor. “O Redata não é apenas um regime tributário; é um teste de previsibilidade regulatória. Investimentos dessa magnitude exigem estabilidade. A ausência dessa sinalização pode redirecionar projetos para países que hoje competem agressivamente por essa infraestrutura estratégica”, afirma, em nota, Luis Tossi, vice-presidente da Associação Brasileira de Data (ABDC).

Segundo a entidade, o custo para construção de um data center no Brasil é hoje, 36% mais alto do que nos Estados Unidos. O setor atribui essa alta aos custos decorrentes da alta carga tributária em itens como servidores e equipamentos de rede.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 23/02/2026, às 17:20

A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.

Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Motta defende uso da Lei de Reciprocidade Econômica como resposta às tarifas dos EUA

Nova tarifa de 25% dos EUA contra o Brasil gera revolta; veja a resposta de Hugo Motta

Presidente da Câmara defende o uso da Lei da Reciprocidade Econômica após nova barreira comercial.
BTG acerta a compra do Digimais, de Edir Macedo; negócio prevê uso do Fundo Garantidor de Créditos

BTG Pactual compra Digimais de Edir Macedo: acordo depende de aporte do FGC e pode gerar pressão de até R$ 8 bilhões no sistema financeiro

Entenda os detalhes do negócio, o papel do Fundo Garantidor de Créditos e os desafios regulatórios após o escândalo do Master
Eve Air, da Embraer, assina carta de intenções com Moov para fornecer até 30 ‘carros voadores’

Carro voador da Embraer vai operar em Cabo Verde: 30 eVTOLs encomendados. Veja rotas e funções!

Eve Air Mobility fecha parceria estratégica para expandir mobilidade elétrica em regiões turísticas internacionais.
Educação para o consumo poderia reduzir endividamento das famílias

Educação para o consumo poderia reduzir endividamento das famílias

   Foto: Tiago Queiroz/Estadão O avanço do endividamento e da inadimplência das…