A gigante da tecnologia Uber surpreendeu o mercado ao admitir que uma de suas modalidades mais populares no Brasil não gera lucro direto. A revelação partiu de Silvia Penna, presidente da companhia no país.

Essa transparência é incomum no mundo corporativo, onde projetos deficitários costumam ser mascarados com nomes complexos. No entanto, a decisão de manter o serviço ativo faz parte de um plano de negócios calculado.

A estratégia visa fidelizar o cliente dentro do ecossistema da marca, oferecendo opções acessíveis que servem como porta de entrada para serviços mais caros, conforme divulgado pelo Estadão.

A estratégia por trás do prejuízo do Uber Moto

A lógica que sustenta essa decisão é a mesma de grandes bancos e supermercados. Você aceita perder no produto de entrada para ganhar no ecossistema completo, atraindo o cliente para a sua base de usuários ativos.

Segundo Silvia Penna, “Uber Moto não é um produto em que a gente ganha dinheiro. A gente investe nele para mobilidade urbana.” A executiva destaca que o foco é a expansão estratégica de longo prazo no Brasil.

O cliente que inicia usando o Uber Moto para trajetos curtos tem muito mais chances de se tornar um usuário recorrente. Uma corrida barata de seis reais pode converter um consumidor que gastará centenas de reais por ano.

O papel da modalidade na mobilidade urbana

Dados da empresa mostram que mais de 60% das viagens de Uber Moto estão associadas a centros de transporte público. O serviço atua no primeiro ou no último trecho do deslocamento diário dos brasileiros.

A empresa não foca apenas em competir com carros, mas em ocupar espaços que o transporte público não cobre. Em metrópoles como São Paulo, essa agilidade para resolver problemas de trânsito vale bilhões de reais.

Atualmente, a prefeitura paulistana e a plataforma enfrentam disputas judiciais pelo direito de operar a modalidade. O desfecho dessa batalha é crucial para o posicionamento da marca nas grandes capitais do país.

Diversificação de portfólio e o caso Uber Envios

A Uber atual é muito diferente da empresa de 2020, estando menos dependente apenas do UberX. A diversificação entre Uber Moto, Comfort, Black e Envios trouxe uma robustez necessária para o crescimento global.

O Uber Envios, por exemplo, nasceu de uma crise durante a pandemia. Quando as pessoas não podiam se mover, a empresa decidiu mover objetos, transformando um momento difícil em um produto de sucesso absoluto.

Com um faturamento global projetado em 52 bilhões de dólares para 2025, a marca mostra que diversificar é o segredo. Investir em produtos que não dão lucro imediato é o que sustenta a liderança em mercados gigantes.

O Brasil como o maior mercado do mundo

O Brasil representa o maior mercado da Uber em volume de transações de mobilidade em todo o planeta. São mais de 140 milhões de brasileiros que já utilizaram o aplicativo ao menos uma vez em suas vidas.

Com dois milhões de motoristas parceiros gerando renda, o país justifica subsídios em modalidades de entrada. O Uber Moto funciona como um investimento de aquisição de clientes em um mercado que já provou sua retenção.

Essa clareza entre o que gera lucro agora e o que constrói o mercado de amanhã é o diferencial da gestão atual. A empresa continua apostando alto na base da pirâmide para garantir o domínio total do setor no futuro.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original através deste link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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