O governo brasileiro e o setor produtivo estão em contagem regressiva para a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de uma tarifa de 25% em diversos produtos nacionais, o que gera grande incerteza no mercado.

A estratégia atual foca em negociações intensas para ampliar a lista de itens isentos, tentando repetir o movimento de reversão ocorrido no ano passado, enquanto o prazo final para a determinação americana se esgota nesta semana.

Com o cenário ainda indefinido, especialistas avaliam que a incidência integral da taxa é provável, mas há esperança de que produtos estratégicos sejam poupados do impacto direto, conforme divulgado pelo Estadão.

O impacto da Seção 301 e a reação do governo Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou otimismo recentemente ao afirmar que não acredita em um impacto generalizado. “Não vai ter tarifaço, não vai ter tarifaço”, disse o presidente em evento recente em São José dos Campos.

Apesar da confiança do Planalto, a investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA utiliza a chamada Seção 301. Esse instrumento jurídico possui um respaldo muito forte, dificultando qualquer tentativa de reversão na justiça americana.

Essa medida é vista como uma ofensiva política de Donald Trump, que mira práticas comerciais que ele considera prejudiciais aos interesses americanos. O foco está em temas como propriedade intelectual e supostas barreiras comerciais brasileiras.

A estratégia de exceções para evitar o isolamento comercial

Representantes do setor produtivo, como a Amcham Brasil, acreditam que o cenário ainda está em aberto. Para Abrão Neto, presidente da entidade, ainda existe um caminho para buscar soluções que evitem o isolamento do país.

O grande medo é que a alíquota final chegue a 37,5%, se somados os 25% da nova tarifa com outros 12,5% aplicados sob alegações de trabalho forçado. Isso tornaria os produtos brasileiros proibitivos para o consumidor americano.

Especialistas como Lívio Ribeiro, do FGV Ibre, acreditam que a negociação deve focar em excluir tantos itens que, na prática, a taxa efetiva seja muito menor. A meta é garantir que setores vitais não percam competitividade no exterior.

Por que o etanol e o Pix entraram no radar de Trump?

Surpreendentemente, a investigação dos Estados Unidos cita até ferramentas de pagamento eletrônico como o Pix, além de entraves para o mercado de etanol e deficiências no combate à corrupção no território brasileiro.

Esses pontos são usados para justificar as sanções, alegando que o Brasil adota práticas desleais. No entanto, empresas americanas que dependem de fornecedores brasileiros também pressionam contra as tarifas, pois teriam custos elevados.

Verônica Cardoso, da LCA Consultoria, destaca que cerca de 54% da pauta exportadora do Brasil já estaria em uma lista de isenção prévia, o que pode reduzir o choque agregado deste novo pacote tarifário no curto prazo.

Riscos para o câmbio e o preço do dólar no Brasil

O impacto financeiro mais imediato pode ser sentido no câmbio. Caso o volume de dólares entrando no Brasil diminua devido às menores exportações, o real pode sofrer uma desvalorização adicional frente à moeda americana.

Além do dólar, o mercado de juros também monitora a situação. Se o risco for percebido como sistêmico, investidores podem exigir retornos maiores para investir no país, encarecendo o crédito para empresas e consumidores locais.

A relação política entre as lideranças dos dois países, somada à proximidade de períodos eleitorais, torna o ambiente ainda mais sensível. O desfecho dessa disputa comercial ditará o ritmo da economia brasileira nos próximos meses.

A fonte original desta notícia é o Estadão.

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