Por toda parte, chefes de Estado e comentaristas vêm afirmando que a nova política do presidente Trump deve ser entendida como ruptura irreversível da ordem global anterior.

Foi esse, por exemplo, o ponto de partida para a análise feita pelo primeiro ministro do Canadá, Mark Carney, em seu discurso de estadista realizado em janeiro no Fórum de Davos. “A velha ordem não vai voltar”, disse ele.

Também foi o ponto de vista dos chefes de Estado na Conferência de Segurança de Munique, no dia 13 de fevereiro. E é o que vem afirmando o mais importante comentarista de Economia Global, Martin Wolf, do Financial Times.

Não há dúvida de que o presidente Trump trabalha para produzir a ruptura. Pior, Trump não está sozinho. Ele é o braço de forças profundas nos Estados Unidos que não desaparecerão depois que Trump sair da Casa Branca.

A questão relevante está em saber se essa ruptura acabará prevalecendo ou se será varrida por outros ventos. Alguma coisa se move na contramão do movimento Maga (Make America Great Again), à medida que a política de Trump vai ficando impraticável.

Dentro mesmo do Partido Republicano, que até agora atuou como fiel repetidor de améns, começam a surgir vozes discordantes em matéria estratégica que é a política baseada na imposição unilateral de tarifas alfandegárias. Por disposição constitucional, isso é prerrogativa do Congresso dos Estados Unidos.

Nas próximas semanas, a Suprema Corte deverá proferir sentença sobre essa usurpação de direitos. O presidente Trump parece temer a trombada. Já declarou que decisão contrária a seus interesses será catastrófica para a atual política.

E é preciso ainda saber como se comportará o eleitorado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato em novembro. Será quando se poderá medir a oposição ao Maga.

Já se vê algum recuo na política anti-imigratória, rejeição da alavanca da grandeza recente dos Estados Unidos. Trump também decidiu retirar boa parte dos policiais do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) de Minneapolis, depois das manifestações de protesto.

Mais que tudo, a ruptura totalitária e isolacionista do presidente Trump pretende jogar no lixo a herança multissecular vencedora dos pais fundadores dos Estados Unidos, que criou mecanismos institucionais de contrapesos ao peso do poder executivo, de maneira a impedir o desastre do totalitarismo.

Quer também desprezar a organização social vigente desde a colonização dos primeiros peregrinos, tal como apontada em 1834 pelo pensador Alexis Tocqueville na obra “Democracia na América”.

A História ensina que as aspirações totalitárias duram pouco. Por que não apostar em que as de Trump têm prazo de vencimento que já desponta no horizonte político?

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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