A paz comercial entre as maiores potências do mundo está por um fio. Um novo movimento financeiro na Europa despertou a fúria de Washington, que agora ameaça romper acordos estabelecidos recentemente.
O foco da discórdia é o setor aeroespacial, onde gigantes como Boeing e Airbus disputam cada centímetro do mercado global. A situação atual pode trazer de volta tarifas bilionárias que prejudicam a economia.
O representante comercial americano expressou profunda preocupação com a falta de transparência sobre os novos recursos injetados na fabricante europeia, conforme divulgado pelo Estadão.
Ameaça à trégua tarifária entre os Estados Unidos e a União Europeia
O retorno da disputa comercial histórica
Os dois blocos mantiveram uma disputa ferrenha desde 2004, com acusações mútuas de subsídios desleais. Cada lado protegia suas fabricantes, Boeing e Airbus, gerando uma guerra de sanções internacionais prolongada.
Esse conflito durou 17 anos e resultou em taxas pesadas sobre diversos produtos. Em 2021, a gestão de Joe Biden selou um pacto, garantindo uma trégua tarifária entre os Estados Unidos e a União Europeia por cinco anos.
No entanto, o clima de cooperação esfriou nesta semana. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o novo empréstimo bilionário aprovado pelo banco de investimentos do bloco para a Airbus coloca tudo em risco.
O empréstimo bilionário da discórdia
Em junho, o Banco Europeu de Investimento, o BEI, anunciou um financiamento recorde de 3 bilhões de euros, cerca de US$ 3,4 bilhões, para impulsionar as atividades de pesquisa e desenvolvimento da Airbus.
Greer declarou estar em alerta pelo fato de o Escritório de Assuntos Comerciais dos EUA não ter recebido detalhes sobre a operação. Ele pediu que essa situação seja resolvida o mais rápido possível para evitar novos embates.
“Eu esperava sinceramente que os subsídios europeus à Airbus, que distorcem o comércio, fossem coisa do passado”, disse Greer em comunicado. Segundo ele, isso gera uma incerteza considerável no comércio do setor aeroespacial.
O objetivo do investimento europeu
Pela visão europeia, o montante bilionário visa garantir flexibilidade para investir em inovação. Ambroise Fayolle, vice-presidente do banco, defendeu que o foco é o desenvolvimento de longo prazo em defesa e aviação.
“Este novo financiamento, sem precedentes na história do BEI, tem como objetivo proporcionar à Airbus a flexibilidade necessária para investir em pesquisa e inovação”, declarou Fayolle na época do anúncio oficial.
Mesmo com a justificativa de inovação, os Estados Unidos enxergam a medida como uma distorção de mercado. O clima de desconfiança pode levar ao fim antecipado da trégua tarifária que protege diversos setores da economia global.
A fonte original é o Estadão e a matéria completa pode ser lida através deste link: EUA alertam que empréstimo da UE à Airbus coloca em risco acordo comercial.






