
É difícil para um leigo entender por que o Brasil é exportador de petróleo, praticamente autossuficiente, e ao mesmo tempo tem de importar mais de um quarto do diesel consumido no país. O gargalo é formado pela insuficiência de refino e pela alta demanda do produto para o transporte de cargas e o agronegócio. Lição de casa: ajustar o refino para dar conta da demanda, sem correr atrás do prejuízo nos períodos de crise de abastecimento, como o provocado pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Além disso, o Brasil também importa Gás Natural Liquefeito e fertilizantes de países do Golfo Pérsico.
Não há qualquer dúvida de que o Brasil pode e deve ser autossuficiente de diesel – ou depender minimamente de importações – se ajustar seu parque de refinarias de petróleo para atender a essa demanda. Afinal, o transporte de cargas é majoritariamente feito em caminhões. E o estupendo agronegócio brasileiro depende de tratores, colheitadeiras e demais máquinas agrícolas.
Isso não explica, é claro, o açodamento dos donos de postos de combustível de encarecer previamente o preço da gasolina. Isso é se aproveitar de uma situação difícil e prejudicar o consumidor. Os Procons e outras instâncias judiciais deveriam agir com rigor para coibir abusos.
O governo federal tomou duas providências, inicialmente, para enfrentar a nova crise do petróleo: zerou as alíquotas de PIS e Cofins, impostos federais, sobre o diesel e anunciou que taxará exportações de petróleo. São medidas emergenciais, que fazem sentido nesse tipo de cenário mundial instável.
Os governadores deveriam isentar, também, o diesel de impostos. Vários deles têm no agronegócio parte expressiva de seu apoio. Estariam contribuindo para reduzir a pressão sobre o combustível utilizado nas máquinas agrícolas e no transporte da produção.
Na última quarta-feira, 11/3, entidades do agronegócio divulgaram carta-aberta pedindo que o governo federal aumente imediatamente o percentual de mistura obrigatória de biodiesel no diesel – de 15% para 17%. Essa proposta deveria ser estudada com atenção e rapidez.
Tudo isso ocorre porque o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás produzidos no mundo. Os membros da Agência Internacional de Energia, que congrega 32 nações, decidiram, então, liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas.
Se a guerra continuar por muito tempo, contudo, todas essas medidas paliativas não conseguirão evitar graves consequências para os países, tanto na economia quanto no consumo. Guerra mata, fere, destrói, além de gerar consequências econômicas nocivas. Esse atraso civilizatório custa muito caro para todo o planeta, principalmente para os países do Oriente Médio.
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







