O cenário econômico brasileiro enfrenta um novo alerta após a divulgação de dados preocupantes sobre a gestão orçamentária recente. O Tribunal de Contas da União identificou falhas em medidas assinadas pela presidência.

Enquanto o governo federal intensifica a cobrança por responsabilidade fiscal do Governo Lula junto ao Congresso Nacional, o órgão de controle aponta que o próprio Executivo deixou de seguir ritos essenciais em benefícios tributários.

A situação envolve bilhões de reais e levanta questionamentos sobre a transparência das contas públicas em um momento de ajuste econômico, conforme divulgado pelo Estadão.

Desafios da responsabilidade fiscal do Governo Lula sob a mira do TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que, das 21 desonerações instituídas no ano passado, dez foram criadas sob irregularidades. O governo editou ou sancionou essas medidas sem cumprir as regras fiscais vigentes.

As falhas incluem a ausência de estimativas de impacto orçamentário, falta de memória de cálculo detalhada e a inexistência de compensação financeira. Tais exigências são fundamentais para manter a responsabilidade fiscal do Governo Lula.

Entre os programas afetados estão o Programa de Aceleração da Transição Energética (Paten), o Acredita Exportação e o Regime Especial para Datacenters (Redata). O descumprimento dessas normas é apontado pela Corte desde 2014.

Medidas sancionadas com irregularidades técnicas

De acordo com o TCU, o Executivo cometeu erros ao editar atos normativos e sancionar propostas sem sanear vícios relevantes. Das dez medidas irregulares, cinco nasceram no Congresso e quatro foram propostas pelo próprio Executivo.

O relatório da Corte é enfático ao afirmar que, “Ao editar atos normativos próprios ou sancionar proposições legislativas sem estimativas robustas, o Poder Executivo reduz a rastreabilidade do custo fiscal dessas políticas”.

Essa falta de rigor enfraquece o controle sobre os efeitos das desonerações. Sem parâmetros adequados de metas, o custo real das políticas públicas torna-se incerto, prejudicando o planejamento econômico de longo prazo.

O custo bilionário projetado para os próximos anos

O impacto financeiro dessas decisões é expressivo. O custo das medidas aprovadas em 2025 foi de R$ 4,2 bilhões, mas a previsão é que esse valor salte para R$ 135,5 bilhões até o ano de 2028.

Isso significa que a maior fatia da conta será herdada pela próxima gestão. Em 2025, os benefícios tributários e creditícios somaram R$ 759 bilhões, o que representa quase 6% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Para se ter uma ideia da magnitude, esse montante seria suficiente para cobrir o déficit previdenciário anual. O parecer reforça que a responsabilidade fiscal do Governo Lula depende do atendimento integral das condicionantes orçamentárias.

Conflito de interesses e pautas bomba no Congresso

Em meio às críticas do TCU, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, cobrou postura semelhante dos parlamentares. Ele demonstrou incômodo com a aprovação de medidas no Congresso que não possuem a mesma exigência formal do Executivo.

Durigan afirmou em entrevista que, “O Supremo tem criado precedentes nesse sentido. É preciso que a gente, todos nós, seja o governo, seja o Congresso, tenha responsabilidade fiscal com o País”, destacando a necessidade de união.

O governo monitora atualmente nove propostas no Legislativo que podem gerar um impacto anual de R$ 111 bilhões. A disputa política sobre quem deve arcar com o ônus fiscal segue como um dos principais temas em Brasília.

A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

You May Also Like
O que o Brasil pode aprender com as cidades inteligentes da China? Executivos revelam lições do país

Cidades inteligentes: especialistas chineses revelam como o Brasil pode evoluir na infraestrutura digital e tecnologias de gestão urbana no futuro

Durante o São Paulo Innovation Week, executivos apontam que conectividade robusta e inteligência artificial são pilares para a transformação urbana
Mercado fracionado de imóveis amadurece e reduz estoques

Mercado de multipropriedades vive fase de amadurecimento com queda nos lançamentos e foco na redução de estoques em todo o Brasil

Setor de multipropriedades busca equilíbrio financeiro enquanto registra aumento expressivo nas vendas de frações imobiliárias em polos turísticos
Embraer: norte-americana Azorra amplia pedido de 39 para 54 aeronaves

Embraer conquista marco histórico com novo pedido bilionário da Azorra e ultrapassa 500 encomendas globais para a eficiente família de jatos E2

Gigante brasileira do setor aéreo consolida seu momento de expansão com a ampliação da frota de aeronaves E195-E2 para clientes internacionais
Diesel já começa a faltar no RS, e entidades do agro acendem alerta sobre efeitos da guerra no Irã

Governo estuda elevar mistura de biodiesel no diesel para 16% ainda em 2025 e inicia testes decisivos para garantir viabilidade técnica do combustível

Aumento do percentual de biodiesel busca atender diretrizes do setor, mas depende de aprovação do CNPE após rigorosa bateria de avaliações em laboratórios