A estratégia brasileira contra o tarifaço de Trump
A representação da indústria brasileira se prepara para um embate decisivo em Washington contra as novas medidas protecionistas dos Estados Unidos. O clima é de forte mobilização institucional.
O foco central será provar que as taxas propostas pela gestão de Donald Trump podem ser prejudiciais ao próprio mercado americano no longo prazo, gerando inflação e perda de eficiência produtiva local.
Diversas entidades nacionais pretendem usar argumentos jurídicos e econômicos para evitar um impacto bilionário nas exportações brasileiras para o país, conforme divulgado pelo Estadão.
Indústria alerta para prejuízos aos próprios americanos
A CNI e a Fiesp participarão de uma audiência pública na Comissão de Comércio Internacional dos EUA para contestar a sobretaxa de 25%. O embaixador Roberto Azevêdo será o porta-voz dos argumentos nacionais.
As entidades argumentam que o tarifaço de Trump não se sustenta juridicamente. Setores de calçados, máquinas e ferro-gusa também pediram exclusão da medida, alegando que seus produtos são essenciais para as fábricas dos EUA.
O documento da Fiesp destaca que empresas americanas pagam uma tarifa média de apenas 2,6% para entrar no Brasil, graças a regimes de isenção, o que demonstra uma relação comercial que já é bastante facilitada.
O temido efeito bumerangue na economia
O setor produtivo alerta que as sanções terão um efeito bumerangue, pois a maior parte das exportações do Brasil para os Estados Unidos consiste em insumos industriais, matérias-primas e bens de capital fundamentais.
Como essas trocas ocorrem frequentemente entre filiais e matrizes, as tarifas funcionariam como um imposto direto sobre os produtores americanos. Esse custo extra seria, inevitavelmente, repassado aos consumidores finais dos Estados Unidos.
Além disso, a Amcham sustenta que barreiras contra o Brasil podem desviar o fornecimento de insumos para concorrentes asiáticos. Isso aumentaria a dependência americana de países que geram grandes déficits comerciais.
O Pix e o desmatamento no alvo de Washington
A investigação conduzida sob a Seção 301 foca em práticas consideradas injustas pela Casa Branca. Entre os alvos estão o sistema de pagamentos Pix, serviços digitais e políticas de proteção de propriedade intelectual.
O USTR afirma que a proposta de ação responde a preocupações sobre o acesso ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento ilegal. O Brasil, no entanto, cita avanços significativos, como a redução drástica no estoque de patentes.
Há também uma segunda audiência prevista para tratar da inclusão do Brasil em uma lista de países acusados de trabalho forçado. Essa medida específica pode resultar em uma punição adicional com sobretaxa de 12,5%.
Implicações políticas e a disputa eleitoral
O tema cruzou a fronteira econômica e atingiu o cenário político brasileiro. O senador Flávio Bolsonaro, aliado de Trump, manifestou preocupação de que o tarifaço pudesse beneficiar politicamente o presidente Lula em sua futura reeleição.
O parlamentar brasileiro, que chegou a pedir o adiamento das taxas, está na agenda oficial da audiência. O governo brasileiro vê a movimentação americana como uma decisão muito mais política do que fundamentada em dados econômicos reais.
A fonte original desta notícia é o [Estadão], disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







