As marcas chinesas estão transformando o mercado automotivo brasileiro com uma velocidade impressionante, forçando montadoras tradicionais a buscarem novos caminhos para não perderem espaço no setor.

A Stellantis, gigante que controla nomes como Fiat, Jeep e Peugeot, já sinalizou que não pretende recuar e está disposta a adotar estratégias agressivas para proteger sua posição no continente.

Herlander Zola, presidente do grupo para a América do Sul, revelou que novas alianças internacionais estão no radar para garantir o futuro da companhia na região, conforme divulgado pelo Estadão.

Stellantis foca em parcerias com marcas chinesas para manter liderança

A Stellantis detém quase 25% das vendas de veículos na América do Sul e já começou a integrar marcas asiáticas em seu portfólio. Recentemente, a chinesa Leapmotor foi incorporada para rivalizar diretamente com novas potências.

Segundo Zola, a empresa está aberta a expandir esse modelo. “Se for necessário se associar a mais marcas chinesas para manter a nossa competitividade na região, nós vamos fazer”, afirmou o executivo durante encontro com a imprensa.

O limite para essas parcerias parece não existir. Zola foi enfático ao dizer que pode se associar a mais uma, duas ou até dez marcas, desde que isso garanta a tecnologia e escala necessárias para disputar o mercado atual.

Avanço estratégico com a Dongfeng e novos produtos

Além da Leapmotor, a gigante Dongfeng, que opera sob a marca DFM no Brasil, já mantém conversas avançadas com a Stellantis. O objetivo é ampliar a aliança que as duas empresas já possuem no mercado da China.

Essa cooperação pode resultar no uso de fábricas da Stellantis na América do Sul para produzir veículos chineses, além do desenvolvimento de novos produtos adaptados ao gosto do consumidor local, fortalecendo a presença regional.

Zola destacou que esse assunto progrediu muito nos últimos meses. A ideia é aproveitar a infraestrutura já instalada para ganhar agilidade frente aos concorrentes que importam modelos prontos diretamente da Ásia.

Revisão de investimentos e o desafio dos impostos

O rápido crescimento das fabricantes chinesas obrigou a Stellantis a reorganizar seu planejamento. O grupo mantém um plano de investimentos de R$ 30 bilhões no Brasil até 2030, mas o cronograma foi readequado recentemente.

O executivo também demonstrou preocupação com as regras de importação. Ele defende uma isonomia competitiva, alertando que o incentivo exagerado à montagem de carros desmontados, conhecidos como CKD, pode ter impactos sociais profundos.

De acordo com Zola, a montagem em regime CKD exige apenas 10% da mão de obra utilizada hoje pela Stellantis. Isso coloca em risco milhares de empregos, já que o grupo emprega atualmente cerca de 35 mil colaboradores na região.

Crise na Argentina e risco de fechamento de fábricas

A situação na Argentina também preocupa a cúpula da Stellantis. Com a abertura econômica promovida pelo governo local, a viabilidade das fábricas de El Palomar e Córdoba está sendo reavaliada constantemente pela diretoria.

A marca Peugeot, por exemplo, viu sua participação no mercado argentino cair de 9% para 5%. Esse cenário de retração e custos elevados de produção coloca as unidades fabris do país vizinho em uma posição de vulnerabilidade.

“Podemos tomar a decisão de fechar uma fábrica e manter outra, de manter as duas ou, até mesmo, de fechar as duas”, concluiu Zola, ressaltando que tudo dependerá das definições das regras governamentais nos próximos meses.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa através deste link: Estadão | Jornal do Carro.

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