O mercado financeiro tem buscado cada vez mais especialistas em ESG (Ambiental, Social e Governança) para integrar decisões de risco, investimento e sustentabilidade. Com a popularização da agenda, a remuneração desses profissionais tem sido objeto de análise por consultorias especializadas.

Um levantamento da consultoria Robert Half, divulgado pelo Estadão, mostra que os salários de gestores ESG cresceram modestamente entre 2023 e 2026, com destaque para cargos de liderança. Os números revelam que, apesar do aumento, a cautela do setor tem limitado saltos salariais mais expressivos.

Além dos números, as empresas estão redefinindo o perfil ideal para atuar em ESG, exigindo competências híbridas que vão além da expertise técnica. Confira os detalhes da pesquisa e as recomendações de líderes do segmento.

Valorização salarial dos profissionais de ESG no Brasil

A remuneração ofertada para esses profissionais apresentou ligeiro crescimento em três anos, sendo mais acentuado nos cargos de liderança. Segundo a série Guia Salarial da Robert Half, a faixa salarial para diretor de ESG em 2026 varia entre R$ 24,6 mil e R$ 39,2 mil, um aumento de cerca de 12% em relação a 2023.

Para gerentes, os salários ficam entre R$ 17,6 mil e R$ 24,3 mil; especialistas recebem entre R$ 11,1 mil e R$ 16,7 mil; e analistas, entre R$ 6,6 mil e R$ 11 mil. A valorização nesses postos variou de 10% a 11% no mesmo período.

Mudança no perfil exigido

Especialistas como Ana Carla Guimarães, diretora da Robert Half, apontam que o mercado está mais criterioso, buscando profissionais que “conectem as ações ESG com resultado financeiro”. A professor Amanda Paulo, da Korn Ferry, destaca que o perfil deixa de ser meramente técnico e passa a ser líder transversal, capaz de articular finanças, regulação e riscos.

Entre as competências-chave estão a capacidade de transitar entre áreas, influenciar sem autoridade formal e integrar agendas de sustentabilidade, risco e estratégia. A experiência em setores regulados – como saúde, energia e tecnologia – também ganha relevância.

Desafios e oportunidades na hierarquia

Lideranças em ESG precisam alinhar temáticas ambientais e sociais à estratégia de negócios. Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú, ressalta que “integrar o ESG ao centro da estratégia é essencial para inovação e perenidade”.

Para quem almeja cargos de liderança, habilidades como fluência em dados e narrativas, influenciar stakeholders externos e traduzir métricas complexas em argumentos de negócio são fundamentais, segundo Daniela Cabral, da Elo.

Trilha para chegar ao topo

Adely Hamoui, diretora de Governança, Riscos e Compliance do Banco Daycoval, indica três habilidades indispensáveis: domínio técnico e regulatório, profundo conhecimento do negócio e visão estratégica para equilibrar rentabilidade, risco e reputação.

“Uma liderança capaz de definir prioridades alinhadas ao negócio e integrar dados ESG aos sistemas de gestão de riscos gera os melhores resultados”, conclui Hamoui.

A fonte original é o Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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