A proposta de reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais tem ganhado força no Congresso, mas especialistas alertam para custos elevados e desafios operacionais no setor de transporte.
Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgado em 14 de abril, indica que a mudança pode gerar um impacto de R$ 11,88 bilhões nos custos do segmento, além de exigir a contratação de 240 mil trabalhadores adicionais.
Os dados foram analisados pelos pesquisadores José Pastore, da USP, e Paulo Rabello de Castro, e ressaltam a necessidade de acordos coletivos para qualquer alteração, segundo a própria CNT (conforme divulgado pelo Estadão).
Impactos financeiros da redução da jornada
Elevação do custo da hora trabalhada
Segundo Pastore e Rabello, a redução da jornada sem ajuste proporcional de salários eleva o valor da hora trabalhada em 10%. No transporte, onde 92,5% dos trabalhadores ainda operam na jornada atual, o custo com pessoal subiria 8,6%.
Necessidade de novos empregos
Para manter a mesma produtividade com a jornada menor, seria preciso contratar cerca de 240 mil profissionais. Contudo, a CNT alerta que a escassez de mão de obra qualificada pode impedir essa expansão.
Risco de aumento da informalidade
A entidade aponta que o aumento dos custos pode pressionar empresas a recorrerem à informalidade, mesmo que hoje 92% dos trabalhadores do setor sejam regidos pela CLT.
Desafios para pequenas empresas
Pequenas transportadoras, que representam 90,5% dos negócios do setor, têm margens operacionais menores. Já destinam 47,3% do valor adicionado bruto ao pagamento de funcionários, o que dificulta a absorção de custos adicionais.
Recomendações da CNT
A confederação recomenda que qualquer mudança na jornada seja feita por meio de acordo coletivo, respeitando as particularidades de cada segmento econômico.
Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







