Venda de ativos da Raízen redefine setor de energia na Argentina

O mercado de energia vive uma movimentação importante com a expectativa da venda dos ativos da Raízen na Argentina. A operação, que deve ser concretizada a partir de meados de maio, envolve a Mercuria Energy Group e empresários argentinos locais.

O acordo alcança cifras expressivas, variando entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão. O pacote de ativos inclui a refinaria Dock Sud e uma rede que abrange aproximadamente mil postos de combustível da marca Shell, conforme divulgado pelo Estadão.

Esta transação representa uma mudança relevante na configuração competitiva do setor petrolífero argentino. Com o movimento, os novos proprietários buscam ampliar sua presença e verticalizar operações que já realizam no país, integrando refino, transporte e venda.

Estrutura do negócio e impacto no mercado

A refinaria envolvida na negociação possui capacidade para processar cerca de 100 mil barris de petróleo por dia. Ela é atualmente uma das maiores instalações do segmento no país, posicionando-se logo atrás das unidades geridas pela estatal YPF.

Os compradores, Mercuria e seus parceiros, já possuem histórico conjunto na Phoenix Global Resources. A aquisição permite que eles unifiquem a produção com a distribuição e o refino, otimizando toda a cadeia produtiva dentro do território argentino.

Quem são os empresários envolvidos na compra

Os empresários argentinos José Luiz Manzano e Daniel Vila são nomes centrais na aquisição. Eles possuem um portfólio diversificado que inclui investimentos em mineração de prata, lítio e urânio, além de forte presença no setor de mídia e energia.

Manzano possui um histórico político relevante, tendo atuado como ministro do Interior nos anos 90. Já Vila consolidou sua trajetória empresarial em parceria com Manzano, expandindo os negócios da dupla em diversos segmentos estratégicos da economia argentina.

Contexto de reorganização financeira

A venda dos ativos é parte integrante de uma reorganização financeira da Raízen, que enfrenta desafios dentro do Grupo Cosan. A empresa negocia um plano de recuperação extrajudicial com credores e detentores de dívidas para ajustar suas contas.

Os recursos obtidos com essa operação devem ser direcionados para o pagamento dessas dívidas. A intenção da companhia é finalizar os trâmites do acordo para que o plano seja levado à homologação judicial ainda durante o mês de junho deste ano.

Histórico das negociações

Antes de fechar com o grupo suíço e os sócios argentinos, a Raízen explorou outras possibilidades. Chegaram a ocorrer conversas bilaterais com a estatal Saudi Aramco, da Arábia Saudita, mas as tratativas não avançaram para um desfecho positivo.

Vale lembrar que a Raízen havia adquirido os ativos da Shell na Argentina em 2018. Na ocasião, o valor da transação foi estimado em cerca de US$ 1 bilhão, refletindo a importância estratégica desses ativos para o mercado regional de petróleo.

A fonte original é o Estadão e a matéria pode ser lida em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

You May Also Like
IA não disputa apenas a nossa atenção, mas também o raciocínio, as decisões e as emoções

O perigo da Inteligência Artificial gratuita: entenda por que o custo real pode ser o seu raciocínio

Especialistas alertam para o paradoxo da dependência da Inteligência Artificial e como o modelo de negócio atual pode aprisionar usuários e empresas.
Distrito Federal faz manobra nas contas para aumentar capacidade de pagamento e socorrer BRB

Crise no BRB: entenda a manobra bilionária do governo para salvar o banco agora!

Distrito Federal tenta reclassificar gastos para obter empréstimo e cobrir rombo bilionário.
Medidas parafiscais somaram R$ 220 bilhões em 2025

Inteligência artificial mede força dos impulsos fiscais no mundo

Um estudo do FMI, liderado por Shuvam Das e outros economistas, revela…
Economia cresce, mas dívida pública e juro alto repassam sensação de sufoco à população

Economia cresce, mas dívida pública e juros geram sufoco: entenda o risco para o seu bolso hoje!

Mesmo com o PIB em alta e o desemprego em queda, o endividamento recorde das famílias e o rombo nas contas públicas preocupam o mercado.