Por que eles estão desistindo de trabalhar de qualquer lugar do mundo como nômades digitais

Boom de profissionais que adotam o estilo de vida sem endereço fixo cresceu após a pandemia, mas ‘lado b’ do nomadismo força desistência antes do previsto.

A disputa de empresas estrangeiras por talentos brasileiros cresceu 53% no último ano. É que afirma o Relatório de Contratações Internacionais 2025, da Deel, plataforma global de folha de pagamentos, obtido com exclusividade pelo Estadão. Em contrapartida, o número de empresas brasileiras em busca de profissionais fora do País aumentou 28%, conforme aponta a pesquisa.

O levantamento analisou mais de 1 milhão de contratos ativos na plataforma em mais de 150 países. De acordo com Michelle Cascardo, gerente de vendas para América Latina da Deel, o avanço consolida o Brasil como um polo de talentos, principalmente nas áreas com maior gargalo: engenharia, tecnologia, liderança e inovação.

“O crescimento é impulsionado pelo reconhecimento global do talento brasileiro em soft skills e compreensão cultural, características fundamentais para posições que exigem atuação direta com mercados locais”, afirma Cascardo.

Quem mais contrata brasileiros

Entre os países que mais ampliaram a contratação de profissionais do Brasil estão Estados Unidos, com um aumento de 26%, e Reino Unido, com crescimento de 31%, seguidos pela Suécia, com 18%. Na América Latina, a demanda também avançou, com destaque para Argentina que subiu 84%, México, com mais de 32% e Colômbia, que teve aumento de 14%.

A principal razão para o aumento da procura é justificada pela escassez de profissionais em áreas estratégicas que dominam o idioma brasileiro e conhecem o mercado, explica Cascardo. Por isso, desenvolvedores de software, especialistas em desenvolvimento de negócios, traders financeiros e profissionais de experiência do cliente estão entre os perfis mais requisitados.

No atual contexto, as contratações acontecem quando empresas estrangeiras expandem suas operações. “Há grande demanda por habilidades técnicas avançadas e capacidade de atuar em funções estratégicas, bem como pela compreensão das dinâmicas de mercado e cultura empresarial brasileira, o que agrega valor em setores de tecnologia, fintechs e startups globais”, diz.

O relatório ainda identificou que o cargo ocupado pelos brasileiros no exterior mudou. Se antes as contratações estavam mais ligadas a funções operacionais, agora cresce a presença em posições estratégicas.

O boom da inteligência artificial entra nessa mudança. Hoje, analista de testes de TIC, treinador de IA e testador de software são os cargos mais aquecidos na área. A média salarial para quem ocupa essas funções é de US$ 2,4 mil por mês (R$ 12.891).

Em cadeiras mais seniores do setor de IA, a remuneração pode chegar a US$ 32 mil mensais, algo em torno de R$ 165 mil. No entanto, apenas 3% dos profissionais brasileiros conseguem ocupar esses cargos, calcula a plataforma.

Movimento contrário

Na contramão da disputa estrangeira, o relatório também revela que empresas brasileiras ampliaram em 28% as contratações internacionais. A maioria dos profissionais é da Argentina, do México e da Colômbia. Desenvolvedores de software, representantes comerciais e gerentes de vendas em estratégias de expansão estão no topo da lista.

Para Cascardo, esse fenômeno indica uma lacuna que as companhias brasileiras tentam preencher. “A contratação externa indica maturidade empresarial e visão de crescimento global, além de suprir competências que ainda não são desenvolvidas localmente”, afirma.

Nessa onda, as startups são as responsáveis pela maioria das vagas porque já são fundadas com ambições de montar equipes distribuídas desde o início. “Hoje, muitas empresas se tornam globais desde o primeiro dia”, avalia.

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No Brasil, os cargos que tiveram maior disparo na remuneração envolvem profissionais que dominam funções críticas para a gestão estratégica de empresas em expansão e infraestrutura em nuvem e integração contínua:

  • Analista Financeiro (+167%)
  • Assistente de Gestão Administrativa (+164%)
  • Gerente de Desenvolvimento de Jogos (+54%)
  • Engenheiro DevOps de Cloud (+43%)
  • Analista de Suporte de TI (+30%)

Segundo Cascardo, a valorização está ligada à busca por especialização. “O crescimento mostra que o foco de contratação migrou do custo para produtividade, especialização e relevância estratégica”, diz.

São Paulo ocupa os principais hubs de talentos

São Paulo ocupa a terceira posição entre as cidades da América Latina com maior número de profissionais contratados internacionalmente na plataforma da Deel.

A executiva afirma que a cidade reúne fatores que favorecem essa posição. “São Paulo tem um ecossistema tecnológico avançado, centros financeiros e presença de multinacionais. Isso a posiciona como um hub de talentos com atuação global”, diz.

Apesar da concorrência de cidades como Buenos Aires e Bogotá, o tamanho do mercado brasileiro e a diversidade de competências profissionais ajudam a manter a capital paulista no pódio.

“Estamos na era de uma única força de trabalho global, com empresas de todo o mundo competindo pelos melhores candidatos”, contextualiza Cascardo. Ele acrescenta: as organizações que devem se destacar serão capazes de atrair e reter talentos de qualquer lugar do mundo.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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