Deputado aliado de Ibaneis anuncia voto contra aporte no BRB

Câmara Legislativa resiste em aprovar projeto do governo do Distrito Federal que oferece imóveis públicos como garantia para o banco estatal. Crédito: TV Câmara Distrital

BRASÍLIA — O presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, disse a deputados que, se não houver um socorro por parte do governo do Distrito Federal na instituição, o banco vai parar de funcionar, conforme o Estadão apurou.

Souza participa de uma reunião fechada com deputados distritais na Câmara Legislativa do DF nesta segunda-feira, 2, para discutir o projeto enviado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) de socorro ao BRB após a crise do Banco Master.

O presidente do BRB admitiu que irregularidades foram identificadas no passado e reforçou que a atual gestão não se omitiu aos problemas causados pela crise do Master. Nas palavras dele, segundo relatos, a nova diretoria do banco está “trocando os pneus com o carro andando”.

Segundo Souza, se não houver um aporte por parte do governo distrital, o banco vai parar de funcionar e a economia do Distrito Federal ficará prejudicada, já que o BRB opera o pagamento de programas sociais, a bilhetagem do transporte público, financiamentos imobiliários e empréstimos para servidores públicos.

Do lado de fora da Câmara, um grupo do sindicato dos funcionários do BRB faz uma manifestação defendendo a manutenção do banco e a aprovação do socorro.

O projeto foi enviado pelo governador à Câmara Legislativa na semana passada, mas há resistência entre os deputados. Atualmente, o governo do Distrito Federal não conta com os votos necessários para aprovar a proposta, segundo aliados de Ibaneis. Em uma sessão com todos os deputados, seriam necessários 13 votos favoráveis.

O governo pediu aval para fazer um aporte no BRB e ofereceu nove imóveis para serem vendidos, transferidos para o banco ou ainda usados como garantia em um empréstimo limitado a R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a outros bancos.

O aporte se tornou necessário após um rombo deixado por operações com o Banco Master. O BRB pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar o capital da instituição. A operação precisa ser aprovada pelos deputados distritais. Ibaneis tenta aprovar o projeto ainda nesta semana. A assembleia do BRB para discutir o plano está marcada para o dia 18 de março.

‘Projeto não é cheque em branco’

Durante a reunião, o presidente do BRB reforçou que o projeto não é um “cheque em branco”. A proposta foi criticada por permitir ao governo do Distrito Federal realizar o aporte, usar os imóveis como garantia e ainda buscar outras operações para capitalizar o BRB, sem especificar quais. O dirigente do banco argumentou aos deputados que a proposta cria instrumentos legais para sustentar o funcionamento do banco.

Participam da conversa 19 dos 24 deputados distritais. Após uma fala inicial de Souza, deputados fazem perguntas. Além do presidente do BRB, o governador Ibaneis escalou o secretário de Economia do DF, Daniel Izaias de Carvalho, o procurador-geral, Márcio Wanderley de Azevedo e dirigentes da Terracap, que administra o patrimônio de imóveis do Distrito Federal, para o encontro.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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