Premiação reconhece projetos de concessão e PPPs que se destacaram no País

Sistema socioeducativo de Minas Gerais, complexo em Maceió e ações da ANTT estão entre as iniciativas condecoradas. Crédito: Imagens: Léo Souza

Contratos de concessões na área de portos são documentos que valem por, no mínimo, duas décadas. Num cenário em que a evolução da tecnologia e as mudanças climáticas acontecem na velocidade da luz, os contratos devem ser mais flexíveis. Foi isso o que defenderam na tarde desta terça-feira, 24, os participantes do painel “Portos brasileiros: Novos Modelos de Concessão e o avanço da eficiência logística”, no P3C 2026.

O evento, realizado pela plataforma Necta e correalizado com o Estadão, o escritório Portugal Ribeiro & Jordão Advogados e a B3, reúne governo, investidores e iniciativa privada do setor de infraestrutura.

“A todo momento, o dólar sobe ou cai, a tecnologia muda, a inflação se acelera ou desacelera, e por isso os contratos de concessão precisam ter mais flexibilidade para abranger esses novos temas”, defendeu Patrícia Póvoa Gravina, diretora de programa da Secretaria Adjunta de Infraestrutura Econômica do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República.

A necessidade dessa mudança é urgente, uma vez que os investidores precisam ter mais previsibilidade para aplicar no setor. “Existe uma demanda, e os investidores sabem disso. Há o capex (a despesa de capital), que também é previsível. Mas o que pega são os riscos e no caso dos portos, eles são muitos: o clima, o fornecimento de energia, a cobertura ou a falta dela no que tange os seguros. Por isso os contratos precisam prever essas ou ter uma maleabilidade para que essas variáveis sejam abrangidas”, defendeu Nilton Mattos, sócio do escritório de advocacia Mattos Filho, especialista em assuntos relacionados ao setor marítimo, de óleo e gás e de portos.

A maioria dos países já têm contratos mais flexíveis, assim como fundos de risco para cobrir, por exemplo, danos climáticos, disse Eduardo Costa, chefe do Departamento de Concessões Portuárias do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Essas práticas poderiam ser adotadas no Brasil também.

Uma maneira de fazer com que essas novidades sejam implementadas pelo setor no Brasil, segundo Patrícia, é a consulta pública do programa “Navegue Simples”, lançado pelo Ministério de Portos e Aeroportos no ano passado. O objetivo é desburocratizar o setor, sendo desenvolvido em colaboração com terminais portuários, empresas de navegação e outros órgãos reguladores.

Sucata

Uma das propostas enviadas — além da flexibilização dos contratos — é o fim da reversibilidade de bens. É a transferência obrigatória de ativos (imóveis, equipamentos, instalações) vinculados à atividade portuária para a União ao término de contratos de arrendamento ou concessão. Na teoria, esses bens seriam essenciais para a continuidade do serviço público, após o fim de uma concessão.

Na prática, porém, ela é um empecilho ao investimento. “Muitas vezes, deixa-se de investir na manutenção ou na modernização do equipamento porque sabe-se que ele vai voltar para a União. E quando volta, muitas vezes esse equipamento já está ultrapassado e sucateado”, diz Patrícia. “Muitas vezes sai mais caro tirar o equipamento do porto do que comprar outro novo”, completou Mattos. Eliminar a reversibilidade seria uma passo em direção à modernização e também desafogaria burocraticamente as empresas e o Ministério.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

You May Also Like
Indústria, construção e comércio cortaram 34 mil vagas de ensino superior em 2025, diz estudo da FGV

Existe Trabalho Humano que IA Nunca Vai Substituir? Sam Altman Revela Profissões Seguras em 2026 e Ameaças no Mercado Brasileiro

Enquanto suporte ao cliente some, empatia e criatividade salvam carreiras como saúde e terapia; entenda o impacto no emprego formal
Modelo de rede neutra não avança no Brasil e teles voltam atrás

TIM Compra I-Systems por R$ 950 Milhões: Fim das Redes Neutras no Brasil Após Fracasso Total da Vivo e Outras Teles

Modelo de redes neutras decepciona e operadoras voltam atrás, restando só V.tal e American Tower no mercado
Netflix desiste da oferta pela Warner e deixa caminho aberto para Ellison, novo magnata de Hollywood

Netflix desiste da oferta pela Warner e deixa caminho aberto para Ellison, novo magnata de Hollywood

Como Trump está montando uma operação de controle da mídia nos EUA…
Área de mediação do TCU ajuda a destravar investimentos em infraestrutura

Área de mediação do TCU ajuda a destravar investimentos em infraestrutura

Ao longo dos últimos anos, diversos projetos de infraestrutura no Brasil foram…