Mesmo com fortunas imensas, os mais ricos do mundo vivem tempos de incerteza. A busca por segurança, menos impostos e estabilidade política tem gerado um movimento migratório sem precedentes entre milionários.

Consultorias especializadas revelam que o número de pessoas com alto patrimônio que buscam novos lares disparou. Esse fenômeno transformou a imigração de elite em um mercado bilionário, atraindo países carentes de capital.

Governos de todo o planeta agora competem para oferecer as melhores condições para esses novos moradores de luxo, conforme divulgado pelo Estadão.

A era da grande migração dos milionários e o mercado da cidadania por investimento

No ano passado, mais de 140 mil milionários emigraram, o maior número já registrado pela empresa New World Wealth. Para este ano, a previsão é que esse montante suba para 165 mil pessoas buscando novos horizontes.

O setor de imigração por investimento movimentou cerca de US$ 40 bilhões em 2025, o dobro do valor de 2019. Atualmente, existem mais de 1,2 mil empresas que prestam serviços para orientar esses expatriados de alto luxo.

Até pouco tempo, Dubai era o destino preferido, sendo descrito por especialistas como o Walmart do setor, com preços competitivos e fácil acesso para fortunas vindas do sul global, como Ásia, Nigéria e Líbano.

O êxodo nas grandes potências e a surpresa dos EUA

Países tradicionalmente estáveis agora veem seus ricos partirem. No último ano, França, Alemanha e Espanha apareceram pela primeira vez na lista de nações que perdem mais habitantes ricos do que conseguem atrair.

A maior mudança, no entanto, ocorre nos Estados Unidos. O país abriga mais de um terço da população mundial com patrimônio acima de US$ 30 milhões, mas muitos americanos agora buscam refúgio na Europa ou Caribe.

Ronald Klasko, advogado especializado, afirma que os EUA passaram de um mercado insignificante para o mercado principal. Muitos clientes temem os rumos políticos do país e buscam alternativas de residência ou cidadania.

O custo da cidadania e as mudanças nas regras globais

Mesmo com a saída de nativos, os Estados Unidos ainda atraem estrangeiros pelo programa EB-5. O investimento mínimo atual é de US$ 800 mil, mas deve subir para US$ 900 mil no início do próximo ano para novos aplicantes.

Outros locais como Uzbequistão, Maldivas e Nauru estão criando programas para atrair esse capital. No Caribe, São Vicente e Granadinas já lançou sua iniciativa, classificando-a como um pilar econômico crucial para o país.

Entretanto, a recepção nem sempre é permanente. A Espanha cancelou seu programa de residência de 500 mil euros em 2025 para frear a especulação imobiliária, enquanto Portugal dobrou o tempo de espera para passaportes.

Diligência e o futuro dos passaportes dourados

A pressão internacional tem feito governos aumentarem a fiscalização. A grande questão atual para as nações é saber exatamente quem são as pessoas e qual o histórico de quem está comprando o direito de morar em seus territórios.

A incerteza geopolítica não preocupa apenas os ricos, mas também os Estados que os recebem. O mercado segue aquecido, com consultores prontos para lucrar com a indecisão de quem tem milhões para gastar em um novo CEP.

A fonte original desta notícia é o Estadão, conforme pode ser conferido na matéria original em Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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