O cenário das compras no Brasil está passando por uma transformação profunda que reflete diretamente nas ruas. Grandes redes que antes dominavam as esquinas agora enfrentam o desafio de manter suas estruturas físicas.

Desde o fim de 2022, cinco das maiores varejistas do país reduziram drasticamente suas operações, somando mais de 1.100 unidades encerradas em um curto período. O foco das empresas agora é outro.

Essa movimentação expõe não apenas a pressão dos juros altos, mas também a nova forma de comprar do brasileiro, que prioriza as telas, conforme divulgado pelo Estadão.

O impacto do fechamento de lojas no varejo nacional

O varejo tradicional, que sempre cresceu abrindo novas unidades, agora precisa aprender a disputar a atenção do consumidor no ambiente digital. A redução líquida de lojas físicas é um reflexo direto dessa adaptação.

Entre as empresas analisadas, Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza lideram esse movimento. Enquanto as portas se fecham, os canais de marketplace ganham peso na decisão de compra final.

A pesquisa aponta que essa retração não é apenas uma estratégia de mercado, mas uma necessidade financeira para garantir a sobrevivência de marcas históricas em um cenário econômico de crédito restrito e juros elevados.

O encolhimento das gigantes Casas Bahia e Americanas

A Casas Bahia detém a maior fatia desse corte. No fim de 2022, a empresa tinha 1.133 lojas e, se o plano de reestruturação for seguido, terá reduzido sua rede em cerca de 400 pontos em menos de quatro anos.

Com uma dívida de R$ 17,3 bilhões em recuperação judicial, a varejista passou a priorizar a rentabilidade. O presidente da empresa, Renato Franklin, não prevê retomada de crescimento nos próximos dois anos.

Já a Americanas seguiu caminho similar após sua crise contábil em 2023. A rede passou de 1.803 para 1.470 lojas, um corte de 333 unidades para tentar concentrar a operação em pontos com maior potencial de retorno.

Marisa e Carrefour em processo de reestruturação

A Marisa também sentiu o impacto, fechando inclusive sua vitrine icônica na Avenida Paulista. A rede terminou 2025 com 230 lojas, uma queda significativa frente às 334 unidades que possuía três anos antes.

No Carrefour, o enxugamento ocorreu durante a integração do Grupo BIG. A rede caiu de 1.203 lojas para mil, em um processo que envolveu o fechamento definitivo de 123 unidades e outras mudanças de bandeira.

Para Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, “O digital não matou a loja. Ele expôs mais rapidamente as fragilidades das cadeias com problemas”. O foco agora é eficiência operacional e redução de despesas fixas.

A disputa digital e o avanço dos marketplaces

As vendas online movimentaram R$ 423 bilhões em 2025, com Mercado Livre liderando o mercado com 43% de participação. Shopee e Amazon aparecem logo em seguida, aumentando a pressão sobre as redes nacionais.

O Magazine Luiza, apesar de ter reduzido 93 lojas, planeja retomar a expansão em breve. No segundo trimestre de 2025, suas vendas físicas cresceram 10,3%, mostrando que o ponto físico ainda tem seu valor estratégico.

O desafio das redes brasileiras é enfrentar plataformas internacionais que avançam em categorias como eletrônicos e beleza. A produtividade das unidades físicas tornou-se mais importante do que a quantidade de endereços.

Nem todos encolhem: o sucesso do atacarejo

Apesar da crise em alguns setores, empresas de alimentação e moda seguem expandindo. Assaí e Grupo Mateus adicionaram 131 unidades às suas redes, enquanto C&A e Renner somaram mais 60 lojas no período.

A diferença está no retorno de cada unidade. Segundo Tozzi, “Uma companhia pode ficar melhor com 500 lojas excelentes do que com 800 unidades, sendo 300 delas destruidoras de valor”, destacando a seletividade.

O analista Luiz Guanais reforça que “As lojas físicas seguem sendo um diferencial competitivo relevante, especialmente em categorias onde a venda assistida e o crédito são essenciais para conversão”, conclui o especialista.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir todos os detalhes na matéria original acessando este link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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