O governo federal anunciou uma revisão importante nas contas públicas, reduzindo a projeção das despesas obrigatórias da Previdência para o ano de 2027. O corte estimado é de mais de R$ 5 bilhões.

A mudança reflete um esforço de ajuste fiscal e ocorre em um momento de queda histórica nas filas do INSS. Mesmo com a redução da projeção, os gastos totais ainda devem apresentar crescimento anual expressivo.

Essa atualização foi apresentada durante uma reunião do Conselho Nacional de Previdência Social, trazendo novos dados sobre o tempo de espera dos segurados, conforme divulgado pelo Estadão.

Corte de R$ 5 bilhões na Previdência e o impacto nas contas públicas

O governo reduziu em R$ 5,018 bilhões as projeções para as despesas obrigatórias da Previdência em 2027. A estimativa com gastos previdenciários passou de R$ 1,224 trilhão para R$ 1,218 trilhão.

Mesmo com essa atualização, estima-se que as despesas previdenciárias cresçam 7,92% no próximo ano em relação ao atual. O valor tem elevado peso, representando 43% da despesa primária total da União.

Segundo o Ministério da Previdência, a estimativa da despesa em 2026 está mais complexa devido às ações para o tratamento do estoque de requerimentos, o que aumentou a incerteza das projeções atuais.

Reestimativa para os anos de 2026 e 2027

O diretor Eduardo Pereira afirmou que o ministério atestou uma redução das despesas em 2026 em relação aos valores estimados inicialmente, o que atribuiu a parâmetros conservadores adotados nos cálculos.

“Quando a gente projeta a nossa despesa, nós usamos parâmetros um pouco mais conservadores, e este ano nós adotamos esse mesmo princípio na hora de fazer a estimativa”, argumentou o diretor do setor.

As projeções para as despesas obrigatórias caíram R$ 6,474 bilhões desde agosto. No caso dos benefícios concedidos pelo INSS, o valor projetado caiu de R$ 1,074 trilhão para R$ 1,067 trilhão nas novas contas.

Queda histórica na fila do INSS e tempo de espera

O número de processos em análise pelo INSS atingiu 1,282 milhão, o menor patamar registrado desde o início da atual gestão, em janeiro de 2023, quando a fila de espera contava com 1,700 milhão de pedidos.

O tempo médio de espera por uma resposta do órgão está atualmente em 35 dias. Segundo Leonardo Bittencourt, diretor de Benefícios, isso representa uma queda de mais de 40% no tempo médio de decisão do instituto.

Para o salário-maternidade, o tempo de decisão está em apenas 11 dias. Já os benefícios por incapacidade levam 30 dias, enquanto as aposentadorias levam, em média, 33 dias para serem analisadas.

O cenário político e as promessas de gestão

A redução da fila do INSS foi uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Técnicos consideram difícil zerar a fila totalmente, dado que o órgão recebe 1,3 milhão de novos pedidos todos os meses.

A oposição, liderada pelo senador Flávio Bolsonaro, também foca no tema para 2026. O plano “Brasil sem Fila” propõe ampliar a digitalização e profissionalizar a administração para reduzir ainda mais a espera.

De janeiro a julho deste ano, o INSS concedeu, em média, 730 mil benefícios por mês. O número representa um aumento de 67% em relação ao mesmo período de 2022, quando a média era de 438 mil concessões.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode ler a matéria completa através do link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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