Os correntistas no Brasil não precisam se sentir inseguros com as canalhices que se tornaram públicas no caso do Banco Master. De vez em quando, há instituições financeiras que surgem do nada, montam uma pirâmide financeira e, logo adiante, quebram com grande estardalhaço. O sistema consegue lidar com esses casos sem que os correntistas percam. Mas, atenção: como sempre, repito – não acreditem em ganhos fáceis. Geralmente, há algo de podre na história.

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Como acontece nos golpes bem-sucedidos, de um lado há um golpista, do outro alguém que acredita no Coelhinho da Páscoa. Ou seja, em ganhos bem superiores à média do mercado. Sinto dizer, mas isso não existe. Se existisse, grandes instituições financeiras dominariam o mercado, oferecendo ganhos nas aplicações financeiros bem maiores do que os da concorrência.
Por que citei ‘pirâmide financeira’? Porque é assim que ocorre. Os primeiros lucram muito, mas, à medida que o tempo passa, o lucro cai, porque pirâmides financeiras, ao contrários das egípcias em que eram sepultados os faraós, desabam em algum momento.
Dessa vez, a patifaria foi ainda mais fundo, ao envolver autoridades dos três poderes. Isso exige mais investigação, até a apuração de tudo o que ocorreu. Como Daniel Vorcaro conseguiu fundar um banco, operar no mercado e cooptar tantas autoridades? Isso não pode ser deixado de lado. Tem de ser apurado até o fim.Parabéns à Polícia Federal, a PF, que fez o que todas as instituições públicas deveriam fazer. Cumpriu seu papel. Não se intimidou com autoridades que se julgavam acima do bem e do mal. Deveria ser óbvio, mas não é.
Investigou, levantou provas e indicou ações injustificáveis. Apontou responsáveis.Isso não enfraquece as instituições públicas. Na verdade, fortalece-as, pois mostra que ninguém está acima da lei. Todos têm de responder por seus atos.
O Supremo Tribunal Federal (STF) deve ir em frente com o Código de Ética. É instituição fundamental para os brasileiros. Há falhas? Que sejam corrigidas. Mas instituições são mais importantes que pessoas. E aqueles que cometem crimes contra consumidores, no caso correntistas, que paguem segundo a lei. Simples assim. Pirâmides, só as que são o local repouso dos corpos dos faraós do Egito. Contra o consumidor, cadeia neles.
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







