A Petrobras passou a considerar desde o início do ano metas de diversidade na remuneração variável dos membros da sua diretoria executiva. Ao todo, devem ser impactados nove membros no alto escalão do colegiado executivo, que conta, desde julho de 2025, com maioria feminina em sua composição: cinco executivas, incluindo a presidente da estatal, Magda Chambriard, e quatro executivos.
“A partir de 2026, a remuneração variável dos membros da diretoria executiva (presidente e diretores) da Petrobras, em suas metas específicas, passou a incluir metas relativas à diversidade, compondo o conjunto de indicadores que influenciam o cálculo final”, afirmou a companhia, em nota ao Estadão.
A empresa disse que a iniciativa está em linha com a “Política de Remuneração da Petrobras” e alinhada às melhores práticas de governança corporativa. “Todas essas metas (foram) aprovadas no conselho de administração da companhia.”

Petrobras irá adotar metas de diversidade em remuneração variável Foto: Pedro Kirilos/Estadão
Além disso, a estatal reforçou que será observado nas metas o desempenho da companhia no avanço na representatividade de mulheres e de pessoas negras em posições de liderança, entre outros pontos, e isso deve “impactar efetivamente” a remuneração variável da alta administração.
Não foram confirmadas as porcentagens perseguidas para a variação da remuneração. No entanto, segundo dados públicos da empresa, o seu plano estratégico estabelece como meta que 25% das posições de liderança sejam ocupadas por mulheres e 25% por pessoas negras até 2030.
Segundo informações públicas da companhia, a remuneração fixa mensal da presidente no exercício de abril de 2025 a março de 2026 é de R$ 139.580,69. Quanto aos diretores executivos, o honorário fixo mensal é de R$ 132.933,98. Não foram informados à reportagem os cálculos que serão utilizados para bonificação condicionada ao alcance de metas de diversidade.
A adesão ao formato de remuneração já havia sido mencionada em dezembro de 2025 pela executiva Tiana Ellwanger, gerente de Cultura, Clima e Diversidade da petroleira, durante o seminário “Democracia e Direitos Humanos: Empresas juntas por um Brasil mais igualitário”, realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.
“A DEI (diversidade, equidade e inclusão) foi a maior revolução cultural da Petrobras dos últimos anos”, disse a gerente durante sua participação no evento, ao comentar sobre a agenda de políticas de diversidade na companhia.
Como funciona a remuneração
Segundo a sócia consultora de Remuneração Executiva da consultoria Korn Ferry, Vanessa Gomes, a remuneração de executivos, em geral, costuma ser composta por salário fixo e por incentivos variáveis vinculados ao atingimento de metas e indicadores definidos previamente. Esses incentivos variáveis podem ser de curto prazo, como bônus anuais, e de longo prazo, como bonificações com prazo superior a um ano.
No caso da inclusão de metas de diversidade na remuneração variável, isso frequentemente ocorre nos incentivos de curto prazo e está diretamente conectada ao pilar Social da agenda ESG, afirma a especialista.
“Essas metas podem envolver, entre outras, avanços na representatividade de determinados grupos, equidade salarial, práticas de contratação, promoção, retenção ou o fortalecimento de políticas internas de inclusão. Em geral, esses indicadores compõem o conjunto de metas corporativas de forma complementar, mas não substituem os objetivos financeiros que dominam as metas dos programas de incentivo”, explica.

Mulheres da diretoria da Petrobras. Da esquerda para a direita: Clarice Coppetti, Angélica Laureano, Renata Baruzzi, Magda Chambriard e Sylvia Anjos Foto: Divulgação/Petrobras
Gomes diz ainda que, ao vincular parte da remuneração de executivos ao avanço em indicadores de diversidade, equidade ou inclusão, as empresas transformam compromissos ESG em objetivos que podem ser medidos e acompanhados pela liderança. Isso ajuda a fortalecer a governança dos temas ESG, pois cria mecanismos de responsabilização.
Caso as metas de diversidade não sejam cumpridas, é esperada uma redução parcial do pagamento da remuneração variável, de acordo com o peso dessa meta e o seu nível de atingimento.
“Para que metas de diversidade e outros indicadores ESG tenham impacto real na gestão, é fundamental que elas tenham peso representativo dentro da remuneração variável. Em estruturas de incentivos, o comportamento executivo tende a se concentrar nos indicadores que efetivamente influenciam a sua remuneração, e metas com peso muito reduzido podem acabar tendo caráter apenas simbólico”, salienta a analista.
Compromissos públicos
Segundo informações da Petrobras, a decisão de adotar metas de diversidade na remuneração representa uma forma de materializar a “Política de Diversidade, Equidade e Inclusão” da empresa, que indica diversos compromissos públicos da petroleira com a agenda.

Lançamento do Pacto pela Diversidade, Equidade e Inclusão nas Empresas Estatais Federais na sede da Petrobras, em Brasília Foto: Adalberto Marques/MGI
A companhia destaca que considera a diversidade, a equidade e a inclusão como elementos fundamentais em seu planejamento estratégico, projetos, processos e operações.
Segundo a estatal, a iniciativa busca estabelecer que a alta administração e as demais lideranças da companhia “sejam as principais protagonistas e possuam responsabilidade diferenciada com a efetividade das ações de diversidade, equidade e inclusão, exercendo uma liderança inclusiva, de forma a servirem de exemplo e inspiração dos comportamentos esperados, mantendo a contínua evolução das iniciativas como uma das prioridades da companhia”.
A empresa é uma das signatárias do “Pacto pela Diversidade, Equidade e Inclusão nas Empresas Estatais Federais”, firmado em setembro de 2024 pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em parceria com pouco mais de 30 empresas públicas.
A petroleira também precisa cumprir práticas propostas pela Lei 15.177/2025, que prevê reserva de 30% das cadeiras em conselhos de administração de empresas estatais para mulheres no Brasil. Atualmente, o conselho de administração da Petrobras ainda não atingiu a porcentagem, sendo formado por nove homens e duas mulheres, dentre elas a presidente da companhia.
“Ambientes diversos e psicologicamente seguros são elementos essenciais para a geração da inovação, como apontado em diversas pesquisas. E inovação é um dos fatores críticos de sucesso para superação dos desafios e alcance dos resultados empresariais”, afirmou a companhia. “Diversidade é sobre pessoas e, também, estratégia e resultados”, reforçou./Colaborou Juliana Garçon
Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







