A pecuária brasileira possui sistemas de produção sofisticados e competitivos, mas enfrenta o desafio de equilibrar produtividade com o compromisso ambiental exigido pelo mercado.

Para avançar, o setor busca alinhar-se ao Acordo de Paris, utilizando ferramentas como a iniciativa SBTi para definir metas de redução de gases de efeito estufa com base em ciência.

Contudo, existe uma lacuna entre as regras internacionais e a prática no campo, dificultando a comprovação de avanços, conforme divulgado pelo Estadão.

Desafios da pecuária sustentável frente às normas internacionais

O Brasil lida com uma atividade heterogênea, onde segmentos modernos convivem com práticas que precisam de evolução. O rigor científico é vital para medir a integridade climática do setor.

A metodologia da SBTi é a referência global hoje, mas ela se baseia em padrões da Europa e dos Estados Unidos. Isso cria dificuldades técnicas para quem produz em clima tropical como o brasileiro.

Um dos pontos críticos é a medição das emissões de metano. Esse gás, liberado pelo gado, responde por metade das emissões de empresas que já zeraram o desmatamento em suas cadeias.

O abismo entre os padrões globais e o agronegócio tropical

Atualmente, as regras internacionais focam em reduções absolutas de emissões. Isso significa que o esforço do produtor para gerar mais alimento com menos impacto ambiental acaba sendo desconsiderado.

A ciência brasileira, liderada pela Embrapa, defende que a intensidade das emissões também seja medida. Produzir mais carne ou leite por hectare com menos poluentes é uma vitória tecnológica.

Ignorar essa realidade pode desestimular o uso de técnicas sustentáveis já reconhecidas. O agronegócio tropical exige métricas que entendam o aumento de produtividade como parte da solução climática.

A barreira invisível da rastreabilidade e do mercado spot

Outro entrave é a forma como o gado é vendido no país. O sistema brasileiro é marcado por transações rápidas, o chamado mercado spot, onde o fornecedor muda com frequência a cada safra.

As metodologias globais exigem rastreabilidade por muitos anos com os mesmos parceiros. Em cinco anos, um frigorífico pode ter negociado com até 20 mil produtores diferentes, dificultando a conta.

Essa rotatividade gera incongruências nos cálculos de carbono. A metodologia atual não se encaixa na dinâmica comercial do Brasil, penalizando empresas que tentam ser transparentes em seus dados.

Impacto social e segurança alimentar em jogo

A dimensão social não pode ser esquecida. A pecuária no Brasil emprega cerca de 7 milhões de pessoas e é a base econômica de muitas regiões vulneráveis, garantindo renda e alimento.

Regras desconectadas da realidade podem expulsar pequenos produtores da formalidade. O IPCC alerta que estratégias climáticas devem caminhar junto com benefícios sociais e econômicos para a população.

O setor não pede flexibilização, mas sim metodologias que incorporem o rigor científico tropical. Adaptar essas normas é o caminho para o Brasil consolidar sua liderança na economia verde mundial.

A fonte original desta notícia é o Estadão e você pode conferir o conteúdo completo no link original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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