A recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras acendeu um alerta vermelho no país.

Diferente do que muitos pensam, os efeitos dessa medida vão muito além da segurança pública, atingindo em cheio a economia brasileira e o ambiente de negócios para investidores internacionais.

O impacto pode ser sistêmico, dificultando a entrada de capital estrangeiro e impondo regras rígidas de conformidade para empresas globais, conforme divulgado pelo Estadão.

Por que a classificação do PCC e CV como terroristas é um golpe na economia?

De acordo com Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, o primeiro efeito dessa medida será econômico. Ele destaca que qualquer empresa que queira investir no Brasil precisará de auditorias rigorosas.

Isso ocorre porque as companhias devem garantir que não dão suporte material a essas organizações. O risco é alto, já que o maior investidor direto no Brasil são os próprios Estados Unidos atualmente.

“O FMI tem estudos mostrando que, em alguns países afetados, o investimento estrangeiro caiu 10%, por conta do risco a mais para as empresas e para os investidores”, afirma Barral sobre o cenário.

O risco jurídico para CEOs e o cerco do compliance

A punição para quem descumprir as regras é severa. O CEO de uma empresa que ajudar essas organizações, mesmo que de maneira involuntária, pode pegar até 20 anos de reclusão em prisão federal nos EUA.

Barral exemplifica que, se uma indústria química brasileira contratar uma empresa de coleta de lixo ligada a esses grupos, o investidor americano poderá ser responsabilizado criminalmente por apoio material.

Essa realidade exige que as empresas aumentem drasticamente seus gastos com compliance, seguro e ações de due diligence, o que torna a operação em solo brasileiro muito mais cara e burocrática.

Impactos diretos no turismo e na imagem internacional

A classificação como organização terrorista também atinge o setor de turismo. Os consulados americanos passam a emitir advertências, e seguradoras aumentam os prêmios para quem viaja ao destino marcado.

“As agências de turismo deixam de recomendar o país e as seguradoras aumentam o prêmio para aquele destino. É uma pena, porque o Brasil está tendo recorde de turistas estrangeiros”, lamenta o especialista.

O México serve como um exemplo recente e negativo. Após cartéis serem designados como terroristas, o país sofreu com a diminuição de investimentos e a necessidade de auditorias pesadas em toda a cadeia.

Diferença entre o risco sistêmico e o tarifaço comercial

Embora existam paralelos com o chamado tarifaço, Barral explica que a questão do terrorismo é sistêmica. Enquanto as tarifas afetam produtos específicos, essa medida afeta o fluxo global de pessoas e capital.

O impacto sobre as exportações pode ser pontual, mas o trabalho para convencer um investidor estrangeiro a manter dinheiro no Brasil será muito maior, já que a lei americana atinge qualquer um com negócios nos EUA.

Para o especialista, a medida não ajuda no combate ao crime tanto quanto a cooperação policial. Ele acredita que a decisão distorce conceitos e pode prejudicar o país independentemente de quem esteja no governo.

A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode conferir a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.

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