A reforma tributária brasileira segue gerando debates intensos entre economistas e políticos, especialmente sobre o mecanismo tecnológico que promete mudar radicalmente como as empresas pagam seus impostos.

O centro das atenções agora é o split payment, um sistema que separa o valor do tributo no ato da compra, impedindo que o dinheiro passe pelas mãos do comerciante antes de chegar aos cofres do governo federal.

Enquanto o governo atual defende a eficiência da medida para evitar a sonegação, a oposição já manifesta planos de reverter essa decisão e extinguir o sistema, conforme divulgado pelo Estadão.

O futuro do split payment e os impactos na economia nacional

A ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora econômica, Daniella Marques, afirmou recentemente que, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, a intenção é acabar definitivamente com o split payment.

Segundo a especialista, o recurso tecnológico, que faz parte da reforma tributária, prejudica diretamente os empreendedores. Ela ressaltou que a medida retira recursos que seriam usados para a manutenção do negócio no dia a dia.

“Vou homenagear aqui Carlos Bolsonaro e Adolfo Sachsida que já pautaram esse governo e foram muito vocais, foram implacáveis contra o split payment, que simplesmente asfixia o capital de giro do pequeno, que já está asfixiado”, afirmou Marques.

Críticas ao novo modelo de tributação e inflação

Além das críticas ao recolhimento automático, Marques apontou preocupações com a unificação de impostos como o IBS e a CBS. Segundo ela, a soma dessas alíquotas pode resultar no maior IVA do mundo.

Essa mudança, aprovada no governo atual, tende a gerar uma forte inflação no setor de serviços e no terceiro setor. A economista classificou o cenário como uma insegurança jurídica que afeta o planejamento das empresas.

“É um absurdo essa insegurança jurídica, porque o cara tem de dizer se adere ou se não adere ao arcabouço e eles não contam quanto é a alíquota, vão deixar para depois”, criticou a ex-presidente da Caixa durante entrevista.

O que é o split payment e como ele funciona na prática?

O split payment é uma ferramenta tecnológica que divide o pagamento no momento exato da transação comercial. Uma parte vai para o vendedor e a outra é encaminhada automaticamente para o Governo Federal.

De acordo com o manual oficial da Receita Federal, “o split payment é o procedimento padronizado de segregação e recolhimento do CBS/IBS no momento da liquidação financeira”, garantindo que o imposto seja retido na fonte.

A ideia é que, a cada venda realizada, o sistema já identifique o que é tributo e faça o repasse imediato para a Receita Federal e para o Comitê Gestor, simplificando a arrecadação sob a ótica do fisco.

Desafios técnicos e a negociação com os bancos

Apesar do planejamento, a implementação prevista para 2027 enfrenta obstáculos. O setor financeiro, responsável por desenvolver a tecnologia, ainda não entrou em acordo com o governo sobre os custos do serviço.

Uma proposta inicial dos bancos de cobrar R$ 1,70 por cada transação foi rejeitada pelo governo por ser considerada fora da realidade. Atualmente, grupos técnicos buscam uma solução para viabilizar o sistema economicamente.

A fonte original é o Estadão.

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