O Brasil enfrenta um rápido envelhecimento populacional, superando países europeus e os EUA desde os anos 50. Isso ameaça o crescimento do PIB e do emprego, devido à maior demanda por previdência e assistência social. O autor alerta que, sem ação governamental, o país pode entrar em uma crise prolongada. Ele sugere o ‘equacionamento previdenciário’ para liberar recursos para investimentos e impulsionar a economia, ampliando oportunidades de trabalho. Publicado em 12 de março de 2026.

Enquanto batalhas sangrentas entre Estados Unidos, Israel, Irã e outros ameaçam o mundo, o nosso país — e muitos dos demais — precisam buscar o melhor posicionamento possível para os difíceis momentos ora vividos.

No Brasil, um fenômeno de ocorrência cada vez mais preocupante, mas em boa medida ignorado pelos que acompanham de perto a evolução do nosso quadro macroeconômico, é o fato de a população brasileira vir envelhecendo a uma velocidade cada vez maior — de forma comparativa e altamente surpreendente em relação ao que ocorre com dois grupos de peso altamente elevado em termos mundiais.

Trata-se dos países europeus de um lado e dos Estados Unidos do outro, desde meados da década de 50. Isso é, sem dúvida, algo contra o que, sem o devido enfrentamento pelas autoridades cabíveis, tenderá a nos colocar cada vez mais no epicentro de uma demorada crise de baixo crescimento do PIB e do emprego, com consequências desastrosas para a nossa população, como já expliquei, em maior detalhe, em outros artigos.

Basta consultar anuários demográficos de entidades, como as filiadas à ONU, que costumam apresentar a evolução recente das Razões de Dependência de Idosos (RDI), conceito básico dessa área, que se definem pela razão entre o número de pessoas com menos de 15 e mais de 65 anos, em porcentagem da parcela da população entre 15 e 65 anos — que é como se deve apurar — e depois comparar o grau de envelhecimento de diferentes países, que há algum tempo é cada vez maior no nosso caso.

Com efeito, quanto mais rápido for o grau de envelhecimento populacional, maior a desabada no investimento público em infraestrutura — e também no investimento privado no mesmo segmento, por serem naturalmente complementares.

Por consequência, também no chamado PIB Potencial, como tem de fato ocorrido diante da tradicional escassez de recursos nos orçamentos públicos, e em face da prioridade naturalmente mais elevada que, em nosso caso, tende a ser conferida à previdência e assistência social vis-à-vis tais inversões, já que maior envelhecimento é sinônimo de maiores benefícios previdenciários e assistenciais.

Nessas condições, precisamos concentrar esforços na tarefa mais conhecida como “equacionamento previdenciário” por meio do qual se busca a zeragem do passivo atuarial em causa, e, portanto, a abertura de maior espaço para investir e fazer o País crescer mais economicamente, ou seja, ampliar satisfatoriamente as suas oportunidades de trabalho.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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