Há poucos dias o IBGE informou que a variação do PIB brasileiro de 2024 para 2025 foi de 2,3%. Não é um número ruim, mas é preciso crescer mais. Do contrário, o fosso de progresso entre os países desenvolvidos (bem como de muitos em desenvolvimento) e nós vai se aprofundar e iremos ficando cada vez mais para trás.

Já está bastante claro que um dos fatores a ser olhado com atenção é a produtividade do trabalho, que tem a ver com sistemas educacionais mais eficientes, especialmente no ensino básico.

No entanto, a agropecuária cresceu 11,7% do ano passado para este, 5 vezes mais do verificado com o PIB total. O setor industrial cresceu 1,4%; e o de serviços, 1,8%. Óbvio que a agropecuária sustentou os 2,3% de avanço do PIB nacional.

O que permitiu este crescimento do agro foi uma safra recorde de grãos (por causa do clima favorável e da tecnologia tropical sustentável utilizada), somada a bons preços de alguns produtos, com destaque para o café. Isso viabilizou um recorde nas exportações, o que ajuda no cálculo do PIB.

Mas teria sido um ano fora da curva? Nos anos anteriores o agro teria ficado abaixo da variação do PIB total?

Uma rápida olhada nos números mostra que não. De 2015 a 2025, por exemplo, o PIB brasileiro variou positivamente em 15,1%, enquanto a agropecuária aumentou 41,8%, com a tecnologia sendo a maior responsável. E a variação também positiva da indústria e dos serviços foram, respectivamente, de 4,5% e 16,6%.

Portanto, é possível afirmar que o setor rural tem sustentado o crescimento econômico do País nos últimos anos. Na realidade, apenas em 2016 e 2024 (por questões climáticas), e em 2022 (por causa da pandemia) o PIB agro cresceu menos do que o PIB total. Mas tirou a diferença nos demais anos, com folga.

Isto é então uma conta definitiva? Também não é: a CNA informou na semana passada a que o valor bruto da produção agropecuária em 2026 deve cair 4,6% em relação ao ano passado, fundamentalmente por causa da quebra de produção agrícola em diferentes regiões, da queda de preços de alguns produtos, como café, cana de açúcar e soja, importantíssimos inclusive para a balança comercial.

Acrescido ao aumento dos custos de produção (ênfase para juros muito altos), às tarifas de importação interpostas pelos EUA, e às guerras em andamento no Oriente Médio e na Ucrânia, pode-se dizer que 2026 será um ano de margens muito estreitas no campo, de modo que, como se diz na roça, é tempo “colocar as barbas de molho” e tratar de sobreviver.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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