Vorcaro é preso em nova fase da Operação Compliance Zero

Ministro André Mendonça, do STF, também determinou o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens dos alvos da terceira fase da Compliance Zero. Crédito: Estadão

O investidor Nelson Tanure recebeu um relógio Jaeger-LeCoultre Duomètre Quantième Lunaire, avaliado em torno de R$ 150 mil, de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira, 4.

Procurado, Tanure afirmou que “nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas, como cliente e investidor, nos mesmos moldes em que opera com diversas outras instituições financeiras”.

Parte das mensagens que havia no celular do banqueiro foi enviada à CPI do INSS, entre elas, conversas com Tanure. “Almoçando com amigos, com a joia que você me deu. Thanks”, escreve o investidor a Vorcaro numa mensagem de WhatsApp, acompanhada de uma foto com o relógio suíço no pulso. Não é possível identificar as outras pessoas da imagem, que aparecem desfocadas.

Em outra mensagem, ambos marcam conversas por voz. Numa delas, Vorcaro chama Tanure de “comandante”.

Tanure foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, em janeiro. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão devido à realização de operações financeiras usando fundos e corretoras ligadas ao banco de Vorcaro.

A proximidade entre Tanure e Vorcaro é tanta que o investidor é investigado num inquérito da Polícia Federal (PF), que apura se ele é o verdadeiro controlador do Banco Master. Muitos investimentos de Tanure eram feitos pela estrutura de gestoras ligadas ao banco Master, que abrigavam fundos do empresário usados para adquirir empresas sem identificar o investidor.

A Titan, holding dos investimentos pessoais de Vorcaro, investia em várias empresas que também receberam recursos de Tanure e cujos caixas foram direcionados ao Master. Entre elas, Light, Alliança Saúde (de medicina diagnóstica), a empresa de energia Emae e a provedora de internet Ligga (aparece também a Sercomtel, de telefonia, pela qual Tanure pagou R$ 2,4 bilhões em 2020 e deu origem à Ligga). Além da Oncoclínicas, que Tanure tentou adquirir para fundir com a Alliança.

Nos últimos meses, Tanure perdeu boa parte de seus investimentos por não conseguir honrar pagamentos de empréstimos feitos para a aquisição de negócios. Entre eles, a Emae, a Alliança, a Ligga e sua fatia na Light. O caixa de diversas companhias colocado no Master, porém, ficou indisponível com a recuperação judicial do banco.

Fonte: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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