(FOLHAPRESS) – O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou no ano passado um recurso apresentado pelo investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital, considerado desafeto do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A decisão foi proferida em maio de 2025, período em que Vorcaro também movia ações contra Timerman e era defendido pelo escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Moraes, e seus filhos.

O escritório Barci de Moraes manteve contrato de R$ 3,5 milhões mensais com o Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, para representar os interesses da instituição financeira.

Embora os processos envolvendo Vorcaro e Timerman, com a participação do escritório e a atuação de Moraes como juiz, não configurem conflito direto segundo as regras da magistratura, o caso evidencia como relações no Judiciário podem se entrelaçar com interesses privados.

Na mesma época da decisão de Moraes, Vorcaro também processava Timerman em uma queixa-crime no Tribunal de Justiça de São Paulo, assinada pelo escritório de Viviane Barci. O ex-banqueiro alegava ter sido alvo de calúnia e difamação após acusações de fraude feitas pelo investidor.

Na primeira instância, uma das estratégias da defesa foi listar processos judiciais envolvendo Timerman, com o objetivo de caracterizá-lo como um perseguidor recorrente.

Entre os exemplos citados estava uma ação movida pelo empresário Nelson Tanure contra o investidor. Ao negar o pedido de trancamento desse processo no STF, Moraes manteve um dos argumentos usados pela defesa de Vorcaro.

No recurso analisado, Timerman pedia o encerramento de uma ação penal em que era acusado de perseguir Tanure nas redes sociais. Ele alegava constrangimento ilegal e ausência de justa causa.

Moraes, relator do caso, rejeitou o pedido e determinou o prosseguimento da ação, afirmando não haver ilegalidades e destacando o direito do réu de se defender durante o processo.

O entendimento seguiu decisões anteriores do Tribunal de Justiça de São Paulo e do STJ. Posteriormente, a Primeira Turma do STF confirmou a decisão de forma unânime.

Na época, o contrato do escritório ligado à família de Moraes com o Banco Master ainda estava em vigor, antes da revelação de investigações envolvendo a instituição e suas operações financeiras.

A assessoria do escritório Barci de Moraes não comentou o caso. A defesa de Timerman também optou por não se manifestar.

No processo movido por Tanure, Timerman foi condenado a um ano, dez meses e 15 dias de prisão, além de multa. Ele nega as acusações e recorre da decisão.

Já a queixa-crime de Vorcaro contra o investidor foi rejeitada em setembro do ano passado por falta de justa causa.

Em nota, o STF afirmou que a decisão foi unânime e alinhada ao parecer da Procuradoria-Geral da República, ressaltando que não há relação legal que configure impedimento ou suspeição.

Moraes também tem sido alvo de questionamentos após relatos de troca de mensagens com Vorcaro no dia da prisão do ex-banqueiro.

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O ministro André Mendonça atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF), que disse precisar de novas diligências para esclarecer os fatos envolvendo o Banco Master

Estadao Conteudo | 15:24 – 18/03/2026

Fonte: Notícias ao Minuto Brasil – Política

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