A recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição, que determina o fim da escala 6×1, promete transformar o mercado de trabalho brasileiro nos próximos meses. A medida altera o descanso semanal dos trabalhadores.

Com a nova regra, a jornada semanal cai de 44 para 40 horas, implementando o modelo de cinco dias trabalhados para dois de folga. Setores que dependem de mão de obra intensiva já começam a calcular os impactos financeiros.

A mudança gera expectativas sobre o custo de vida e a oferta de vagas em áreas como varejo e construção, conforme divulgado pelo Estadão. Especialistas alertam para possíveis ajustes nos preços finais ao consumidor.

Fim da escala 6×1 e a transição para a jornada 5×2

A aprovação da PEC pelo Senado marca um ponto de virada para cerca de 30% dos trabalhadores formais do País que ainda cumprem a escala 6×1. O objetivo principal é melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos empregados.

Para o professor sênior da USP, Hélio Zylberstajn, manter a produtividade exigirá um aumento teórico de 16,7% no número de funcionários. No entanto, o economista alerta que esse crescimento nas contratações não é algo garantido.

O encarecimento da mão de obra, estimado em 9% por hora trabalhada, pode levar empresas a repensarem seus quadros. Existe o risco de que, em vez de contratar mais, os negócios reduzam a produção para equilibrar as contas.

Impactos nos supermercados e na construção civil

Os supermercados e a construção civil são os setores mais vulneráveis à mudança. Em São Paulo, o déficit de profissionais já é alto, com milhares de vagas em aberto mesmo antes da implementação da nova jornada de trabalho.

Bruno Imaizumi, da 4intelligence, destaca que o comércio é muito dependente de funcionamento contínuo. Isso significa que os varejistas podem repassar o aumento dos custos trabalhistas diretamente para os preços das mercadorias.

Na construção civil, a situação é ainda mais delicada. Com a falta de trabalhadores, as obras podem ficar mais caras ou até se tornarem inviáveis, o que reduziria a demanda por novos empreendimentos em diversas regiões.

Risco de informalidade e busca por produtividade

Um dos efeitos colaterais temidos por economistas é o aumento da informalidade. Para evitar os custos da nova escala, pequenas empresas podem recorrer a contratos sem registro, prejudicando a proteção social do trabalhador.

A saída para compensar a redução das horas trabalhadas seria o ganho de produtividade através da automação. Contudo, setores como o de calçados e móveis ainda dependem muito do trabalho manual, dificultando essa transição tecnológica.

“O que vemos quando há uma redução da jornada não é a contratação de mais pessoas, mas a contratação de menos. As empresas podem passar a produzir menos”, afirma Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, sobre os riscos econômicos.

A importância de uma transição gradual

Para minimizar os impactos negativos no emprego, especialistas sugerem que o Brasil adote uma transição por etapas. O exemplo citado é o do Chile, que aprovou um prazo de cinco anos para reduzir a jornada de 45 para 40 horas.

Embora a redução do estresse possa elevar a produtividade individual em cerca de 3%, esse ganho ainda não cobre o custo adicional imediato. Uma adaptação lenta permitiria que as empresas organizassem suas finanças e escalas.

O cenário para o final do ano, época de aumento sazonal no comércio, preocupa os setores produtivos. A necessidade de novas contratações sob as novas regras da escala 5×2 pode pressionar ainda mais o caixa das micro e pequenas empresas.

A fonte original desta notícia é o Estadão, disponível em: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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