O IPCA de junho registrou uma variação de 0,16%, trazendo um alívio significativo para o Comitê de Política Monetária (Copom). O índice ficou abaixo da mediana das projeções do mercado e até do piso esperado.
Esse movimento ocorre em um momento de tensão entre o Banco Central e parte dos investidores. Existe uma percepção de que o órgão deseja manter o ritmo de cortes na Selic, mesmo com expectativas desafiadoras.
A surpresa positiva foi impulsionada principalmente pela queda nos preços dos alimentos, que vieram abaixo do previsto por especialistas do setor financeiro, conforme divulgado pelo Estadão.
Análise técnica do IPCA de junho e o mercado financeiro
Laura Moraes, economista da Neo Investimentos, observou que o Monitor da Inflação da FGV já sinalizava uma queda forte dos alimentos in natura nos últimos dias do mês, o que acabou se confirmando no dado oficial.
Segundo a especialista, a deflação de 0,39% na alimentação no domicílio foi o grande destaque. “Virou muito a chave, porque tinha subido 7,4% em maio”, afirmou Moraes sobre o comportamento dos alimentos in natura.
A economista calcula que, da surpresa total do IPCA de junho, uma parcela de 0,10 ponto porcentual deve-se à alimentação no domicílio, reforçando o caráter volátil desse resultado para a inflação cheia.
Núcleos de inflação e o comportamento dos serviços
Além dos alimentos, outros componentes mostraram dados moderados. Cerca de 0,4 ponto porcentual da surpresa veio do núcleo ex-3, que exclui itens voláteis como alimentação no domicílio e alguns bens industriais.
Nesse indicador específico, os destaques de queda foram a alimentação fora do domicílio e os bens industriais. Para Moraes, a surpresa foi muito mais forte na inflação cheia do que nos núcleos acompanhados pelo BC.
Apesar de o resultado não mudar drasticamente o orçamento de cortes da Selic, ele representa um pequeno fôlego diante de incertezas globais, como os conflitos no Oriente Médio e as pressões fiscais internas.
Novas apostas para a taxa Selic em 2026 e 2027
Um gestor de recursos consultado apontou que o IPCA de junho combina “a fome com a vontade de comer”, referindo-se à intenção do Banco Central de reduzir os juros mesmo em um cenário que exige cautela.
Para esse profissional, a situação inflacionária não é um desastre, o que permite ao Copom ser menos conservador. “Esse IPCA faz parecer que não é um erro tão grosseiro o Copom cortar agora”, acrescentou o gestor.
Com o novo cenário, instituições já cogitam revisar as projeções da Selic para baixo. A expectativa é que a taxa possa atingir patamares menores do que o previsto anteriormente para o final de 2026 e 2027.
A fonte original é a Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo.







