A inteligência artificial não é apenas uma revolução de software, mas sim o maior ciclo de investimento em infraestrutura de toda a história dos Estados Unidos, superando marcos históricos.
Estimativas apontam que o volume financeiro destinado a essa tecnologia deve ultrapassar grandes feitos do passado, como a construção de ferrovias e a expansão das telecomunicações no século passado.
O montante necessário para sustentar esse avanço é tão elevado que as gigantes da tecnologia estão sendo obrigadas a mudar suas formas de financiamento, conforme divulgado pelo Estadão.
O gigantismo do investimento em inteligência artificial
Um marco histórico superior às ferrovias
Cálculos do economista Stijn Van Nieuwerburgh, da Columbia Business School, indicam que o investimento em inteligência artificial nos EUA será de US$ 10,3 trilhões entre 2025 e 2032.
Esse valor representa cerca de 3,63% do PIB americano ao ano, superando o ciclo das ferrovias (2,24% do PIB) e o boom das telecomunicações e fibra ótica, que absorveu 1,13% do PIB anual.
Se os números se confirmarem, o ciclo da IA será o maior da história dos Estados Unidos, ficando acima de investimentos históricos em canais, rodovias e até na eletrificação de todo o país.
Além do software: o peso da infraestrutura física
Para o autor do estudo, entregar novos modelos de tecnologia envolve pesadamente o capital físico, como chips especializados, sistemas de resfriamento, equipamentos de rede e muita eletricidade.
A expansão da infraestrutura de IA exige a construção de grandes data centers. Estima-se que um campus de 200 megawatts custe US$ 8,2 bilhões, sendo a maior parte voltada para computação.
A projeção central do economista indica que cerca de 183 gigawatts de nova capacidade devem entrar em operação nos Estados Unidos até o ano de 2032, com planos de expansão ainda maiores depois.
O desafio financeiro das Big Techs
As gigantes como Microsoft, Amazon e Meta viram seus investimentos saltarem de US$ 97 bilhões em 2020 para uma projeção de mais de US$ 800 bilhões em 2026, superando a própria geração de caixa.
Pela primeira vez, o caixa próprio dessas empresas não será suficiente para cobrir os custos, exigindo o uso de capital externo, como leasing, crédito privado e veículos de propósito específico.
Um exemplo é o projeto Hyperion, da Meta, que envolve US$ 30 bilhões. A empresa vendeu 80% do empreendimento para captar recursos, mantendo seu balanço contábil mais leve em termos de ativos.
Riscos e vulnerabilidades do novo mercado
Embora o cenário seja de crescimento, o pesquisador aponta vulnerabilidades, como a concentração de riscos em poucos locatários e a rápida obsolescência dos equipamentos de alta tecnologia.
Existem também gargalos de execução, especialmente relacionados à demanda massiva por energia elétrica, o que pode atrasar ou encarecer os projetos de expansão da infraestrutura de IA no país.
Apesar disso, o estudo conclui que ainda é cedo para dizer que o setor representa um risco sistêmico, mas destaca a importância de monitorar como as perdas podem se propagar no futuro financeiro.
A fonte original desta notícia é o Estadão, e você pode ler a matéria completa no link: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo







