Após um período de relativa calma em 2025, a inflação de alimentos voltou ao centro das preocupações econômicas. O aumento dos preços do petróleo, a guerra no Oriente Médio e as previsões de um El Niño mais intenso são apontados como principais gatilhos para a alta nos custos da alimentação doméstica.

Segundo economistas citados pelo Estadão, a combinação desses fatores pode elevar a projeção de inflação da alimentação de 3% para cerca de 4,5% até o final do ano. A pressão já se reflete no IPCA‑15 de março, em que o peso da alimentação no domicílio chegou a 15,2% do índice geral.

Especialistas alertam que o cenário permanece volátil e depende da duração do conflito e da intensidade do fenômeno climático, o que pode ampliar ainda mais os preços dos fertilizantes e, consequentemente, dos alimentos. (fonte: Estadão)

Conflito no Oriente Médio eleva custos de fertilizantes e fretes

Petroóleo encarece o frete e a produção

O preço do barril de petróleo saltou de US$ 60 para mais de US$ 100 em poucas semanas, encarecendo o transporte e reduzindo a oferta de fertilizantes, que utilizam derivados do petróleo. “A elevação da projeção para a inflação de alimentos ocorre por causa da alta do preço do petróleo provocada pela guerra”, afirma o economista Fabio Romão, sócio da consultoria Logos Economia.

Impacto direto nos insumos agrícolas

Mais de 85% dos insumos usados na produção de fertilizantes são importados, grande parte vindos das regiões em conflito. “Boa parte do que a gente importa de fertilizantes vem daquela região de guerra e os preços naturalmente também estão subindo”, explica o economista Silvio Campos Neto.

El Niño intensifica pressão sobre a safra

Os meteorologistas preveem um El Niño mais forte no segundo semestre, o que pode reduzir a produção agrícola e aumentar a demanda por proteínas alternativas. “O aumento da projeção para a inflação da comida leva em conta as pressões esperadas por conta do El Niño no segundo semestre”, destaca Fabio Romão.

Reações dos economistas

Marcela Kawauti, economista‑chefe da gestora Lifetime, elevou sua estimativa de inflação da alimentação de 3% para 4,5% em razão da guerra e do El Niño, ajustando também a projeção do IPCA completo de 3,95% para 4,95%.

Projeções e incertezas para o IPCA

O Boletim Focus do Banco Central mostra a mediana das projeções de inflação subindo de 3,91% para 4,17% nas últimas quatro semanas. Consultorias como a MB Associados já esperavam alta de 4,2% para o IPCA, alertando que valores acima de 5% são possíveis se o preço do petróleo permanecer elevado.

Em 2025, a inflação de alimentos no domicílio foi de apenas 1,4% graças a boas safras e real valorizado. Historicamente, a mediana da inflação da alimentação entre 2011 e 2025 foi de 7,8% ao ano, indicando que o cenário atual pode representar uma reversão temporária, mas significativa.

Os analistas concordam que o risco dominante é de alta, mas a extensão dependerá da duração do conflito e da força do El Niño. Enquanto isso, a expectativa de um dólar mais fraco pode atenuar parte dos impactos, segundo Fabio Silveira, senior advisor da Volt Partners.

Fonte original: Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo

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